Fim do embargo russo
A julgar pelo anúncio extra-oficial feito pela Rússia, as exportações brasileiras de carnes para esse país deverão estar novamente liberadas até o final de julho. Mesmo não sendo para todas as plantas frigoríficas (de 236 plantas auditadas, 143 serão habilitadas a exportar novamente) é uma notícia importante, particularmente para o setor suinícola já que os russos compram entre 60% e 70% de nossas vendas totais de carne suína. Isso poderá incrementar nossas exportações dessa carne que, nos primeiros cinco meses do ano, registravam um recuo de 5% em volume em relação a 2010 (200.225 toneladas, contra 210.834 toneladas entre janeiro e maio do ano passado). Aos poucos os preços do quilo vivo do suíno devem melhorar. Em algumas regiões catarinenses, por conta deste anúncio, o produto passou a ser negociado próximo de R$ 2,00/quilo novamente. Ainda está longe de ser suficiente, porém, é bem melhor do que R$ 1,60 a R$ 1,80/quilo que o mercado do sul brasileiro chegou a praticar após o anúncio do embargo russo. Espera-se que o Brasil consiga exportar ao redor de 600.000 toneladas de carne suína nesse ano, embora a tendência seja de o volume ficar abaixo disso. A necessidade das vendas externas é grande já que a produção nacional cresceu 2,9% nos primeiros cinco meses do ano, passando de 1,38 milhão de toneladas em 2010 para 1,42 milhão em 2011. Com isso, a disponibilidade interna mensal, no período, chegou a aumentar 4,27%, passando a 1,22 milhão de toneladas, após 1,17 milhão nos primeiros cinco meses de 2010. Ou seja, o mercado vem vivendo um período de oferta maior do que o consumo. A reabertura do mercado russo poderá alterar um pouco esse quadro, melhorando os preços aos suinocultores. Apenas a título de comparação, a média do quilo vivo no mercado gaúcho fechou a segunda semana de julho em R$ 1,79, contra R$ 2,10 em igual momento de 2010.
Grãos em Chicago voltam a subir
Após o impacto negativo do relatório de plantio nos EUA, no dia 30/06, quando as cotações em Chicago despencaram, notícias climáticas e o forte retorno da especulação financeira acabaram recuperando as cotações dos grãos naquela bolsa. Desta forma, o fechamento do dia 14/07 consolidou valores, para o primeiro mês cotado, de US$ 13,90/bushel para a soja (+6,4% sobre o fechamento do dia 30/06); US$ 7,16/bushel para o milho (+13,8% sobre 30/06) e US$ 6,91/bushel para o trigo (+18,3% sobre 30/06). O relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado nesse dia 12/07, apenas consolidou as informações de produção já conhecidas, reforçando a recuperação dos preços. É bom lembrar que, se em termos mundiais a produção e estoques finais destes três produtos tendem a aumentar, nos EUA, com exceção feita ao milho, os números de produção futura são apertados, exigindo que a safra seja normal para não haver sobressaltos de oferta e reduções ainda mais drásticas dos estoques finais. Senão vejamos: para a soja o novo relatório de oferta e demanda indicou uma produção de 87,8 milhões de toneladas, contra 90,6 milhões no ano anterior. Os estoques finais ficariam em 4,76 milhões de toneladas, contra 5,44 milhões estimados para o atual ano 2010/11; para o milho, a produção estadunidense subiria para 342,2 milhões de toneladas, contra 316,3 milhões um ano antes, enquanto os estoques finais locais recuariam para 22,1 milhões de toneladas, contra 22,4 milhões no atual ano comercial; enfim, para o trigo a produção total está projetada em 57,3 milhões de toneladas para o novo ano 2011/12, contra 60,1 milhões no atual ano comercial, com os estoques finais recuando para 18,2 milhões de toneladas, após 23,4 milhões um ano antes. Assim, mais do que nunca o clima nos EUA, até setembro/outubro será um elemento balizador das cotações, deixando o mercado ainda mais volátil do que já tem sido nos últimos tempos.
Inadimplência confirmada
O desastre nas contas particulares dos brasileiros começa a se cristalizar, após o “boom” de consumo, até certo ponto irresponsável, de 2010. A mudança esperada na postura do novo governo, arrochando o crédito, aumentando o juro e, por conseguinte, freando a economia, apenas consolidou o processo, o qual deverá continuar no segundo semestre. Para piorar o cenário, começa a ressurgir o desemprego mais acelerado em diferentes setores, na esteira de uma economia que não deverá crescer mais de 4% neste ano. Assim, no primeiro semestre do ano a inadimplência do consumidor cresceu 22,3% em relação ao mesmo período de 2010, sendo a mais elevada em nove anos. Somente em junho a inadimplência cresceu 29,8% sobre junho de 2010. Os cheques sem fundo cresceram 18,9% em junho, em relação a maio, enquanto, contraditoriamente o valor médio das dívidas referentes a cheques sem fundos aumentou em 7% no primeiro semestre, alcançando R$ 1.313,97. Ou seja, os brasileiros que chegam a esta situação continuaram aumentando os gastos mesmo sem ter condições de pagá-los. A conta do exagero realizado pelo governo Lula está cada vez mais dura de ser digerida pela população. E, como sempre, são os mais pobres os que mais pagam o saldo da irresponsabilidade oficial de fim de mandato. O pior é que, diante do agravamento do cenário internacional, esse quadro nacional não deverá melhorar nem mesmo para 2012. Se ainda não há uma bolha a estourar em nível nacional (o que coloco em dúvida), o fato é que milhares de bolhas individuais já estão estourando, inviabilizando muitas pessoas, empresas e negócios. Decididamente, em economia não há “almoço grátis”.
A julgar pelo anúncio extra-oficial feito pela Rússia, as exportações brasileiras de carnes para esse país deverão estar novamente liberadas até o final de julho. Mesmo não sendo para todas as plantas frigoríficas (de 236 plantas auditadas, 143 serão habilitadas a exportar novamente) é uma notícia importante, particularmente para o setor suinícola já que os russos compram entre 60% e 70% de nossas vendas totais de carne suína. Isso poderá incrementar nossas exportações dessa carne que, nos primeiros cinco meses do ano, registravam um recuo de 5% em volume em relação a 2010 (200.225 toneladas, contra 210.834 toneladas entre janeiro e maio do ano passado). Aos poucos os preços do quilo vivo do suíno devem melhorar. Em algumas regiões catarinenses, por conta deste anúncio, o produto passou a ser negociado próximo de R$ 2,00/quilo novamente. Ainda está longe de ser suficiente, porém, é bem melhor do que R$ 1,60 a R$ 1,80/quilo que o mercado do sul brasileiro chegou a praticar após o anúncio do embargo russo. Espera-se que o Brasil consiga exportar ao redor de 600.000 toneladas de carne suína nesse ano, embora a tendência seja de o volume ficar abaixo disso. A necessidade das vendas externas é grande já que a produção nacional cresceu 2,9% nos primeiros cinco meses do ano, passando de 1,38 milhão de toneladas em 2010 para 1,42 milhão em 2011. Com isso, a disponibilidade interna mensal, no período, chegou a aumentar 4,27%, passando a 1,22 milhão de toneladas, após 1,17 milhão nos primeiros cinco meses de 2010. Ou seja, o mercado vem vivendo um período de oferta maior do que o consumo. A reabertura do mercado russo poderá alterar um pouco esse quadro, melhorando os preços aos suinocultores. Apenas a título de comparação, a média do quilo vivo no mercado gaúcho fechou a segunda semana de julho em R$ 1,79, contra R$ 2,10 em igual momento de 2010.
Grãos em Chicago voltam a subir
Após o impacto negativo do relatório de plantio nos EUA, no dia 30/06, quando as cotações em Chicago despencaram, notícias climáticas e o forte retorno da especulação financeira acabaram recuperando as cotações dos grãos naquela bolsa. Desta forma, o fechamento do dia 14/07 consolidou valores, para o primeiro mês cotado, de US$ 13,90/bushel para a soja (+6,4% sobre o fechamento do dia 30/06); US$ 7,16/bushel para o milho (+13,8% sobre 30/06) e US$ 6,91/bushel para o trigo (+18,3% sobre 30/06). O relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado nesse dia 12/07, apenas consolidou as informações de produção já conhecidas, reforçando a recuperação dos preços. É bom lembrar que, se em termos mundiais a produção e estoques finais destes três produtos tendem a aumentar, nos EUA, com exceção feita ao milho, os números de produção futura são apertados, exigindo que a safra seja normal para não haver sobressaltos de oferta e reduções ainda mais drásticas dos estoques finais. Senão vejamos: para a soja o novo relatório de oferta e demanda indicou uma produção de 87,8 milhões de toneladas, contra 90,6 milhões no ano anterior. Os estoques finais ficariam em 4,76 milhões de toneladas, contra 5,44 milhões estimados para o atual ano 2010/11; para o milho, a produção estadunidense subiria para 342,2 milhões de toneladas, contra 316,3 milhões um ano antes, enquanto os estoques finais locais recuariam para 22,1 milhões de toneladas, contra 22,4 milhões no atual ano comercial; enfim, para o trigo a produção total está projetada em 57,3 milhões de toneladas para o novo ano 2011/12, contra 60,1 milhões no atual ano comercial, com os estoques finais recuando para 18,2 milhões de toneladas, após 23,4 milhões um ano antes. Assim, mais do que nunca o clima nos EUA, até setembro/outubro será um elemento balizador das cotações, deixando o mercado ainda mais volátil do que já tem sido nos últimos tempos.
Inadimplência confirmada
O desastre nas contas particulares dos brasileiros começa a se cristalizar, após o “boom” de consumo, até certo ponto irresponsável, de 2010. A mudança esperada na postura do novo governo, arrochando o crédito, aumentando o juro e, por conseguinte, freando a economia, apenas consolidou o processo, o qual deverá continuar no segundo semestre. Para piorar o cenário, começa a ressurgir o desemprego mais acelerado em diferentes setores, na esteira de uma economia que não deverá crescer mais de 4% neste ano. Assim, no primeiro semestre do ano a inadimplência do consumidor cresceu 22,3% em relação ao mesmo período de 2010, sendo a mais elevada em nove anos. Somente em junho a inadimplência cresceu 29,8% sobre junho de 2010. Os cheques sem fundo cresceram 18,9% em junho, em relação a maio, enquanto, contraditoriamente o valor médio das dívidas referentes a cheques sem fundos aumentou em 7% no primeiro semestre, alcançando R$ 1.313,97. Ou seja, os brasileiros que chegam a esta situação continuaram aumentando os gastos mesmo sem ter condições de pagá-los. A conta do exagero realizado pelo governo Lula está cada vez mais dura de ser digerida pela população. E, como sempre, são os mais pobres os que mais pagam o saldo da irresponsabilidade oficial de fim de mandato. O pior é que, diante do agravamento do cenário internacional, esse quadro nacional não deverá melhorar nem mesmo para 2012. Se ainda não há uma bolha a estourar em nível nacional (o que coloco em dúvida), o fato é que milhares de bolhas individuais já estão estourando, inviabilizando muitas pessoas, empresas e negócios. Decididamente, em economia não há “almoço grátis”.