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Tendências 19/12/2011


Argemiro Luís Brum
2012 será ainda difícil

Todos os indicativos econômicos apontam para um ano 2012 um pouco mais difícil do que 2011. Em termos globais, o aperto na economia deverá continuar, com seus efeitos diretos no Brasil. A grande preocupação continuará sendo a Europa e, particularmente, a zona euro, onde o recente acordo interno, que acabou deixando de fora o Reino Unido, não está convencendo os mercados. E, na estrutura econômico-financeira atual, em os mercados não se convencendo, nada se arranja.

Ao mesmo tempo, a economia dos EUA crescerá menos do que o esperado em 2011, iniciando o próximo ano em dificuldades ainda maiores. Para completar o quadro, a Grécia, mais uma vez ela, acaba de avisar que não conseguirá cumprir o acordo recentemente feito com o FMI, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia (a trinca que procura policiar o mundo econômico europeu na atualidade), fato que compromete a liberação das próximas parcelas de ajuda à sua economia. Na prática, a Grécia tinha como meta reduzir o déficit das contas públicas para 9,1% do PIB neste ano, porém, o governo anuncia que tal percentual deverá ficar ao redor de 10,6% do PIB, repetindo a performance negativa de 2010. Ou seja, para efeitos de correção dos fundamentos da crise, o anúncio indica praticamente um ano perdido. No conjunto da União Europeia, por sua vez, o novo acordo intergovernamental somente ficará pronto em março próximo. Enfim, o Banco Central dos EUA (FED) reconheceu, nesta semana, pela primeira vez, preocupação com os efeitos da crise sobre a atividade econômica global.

Nesse sentido, a China, que vinha sendo a locomotiva do mundo em tempos de crise, acaba de anunciar uma redução de seu crescimento, em 2011, para 9,2% ao ano e, pior, uma possível queda para 8,5% em 2012. Isso tudo porque suas exportações para o mundo estão diminuindo pelo avanço do quadro recessivo geral. Nesse contexto, na melhor das hipóteses, talvez as coisas comecem a ficar “menos ruins” somente no segundo semestre do próximo ano, e isso se as medidas decididas agora, pelos diferentes países, realmente surtam efeito.

O Brasil procura resistir, mas...

No quadro interno, o governo tenta resistir. Afinal, o quadro externo negativo, que atingiu em cheio a economia nacional desde meados de 2010, demorou a ser combatido. Todavia, o governo brasileiro, pela falta de reformas estruturais, vem usando a mesma receita de antes. Ou seja, com o crescimento econômico comprometido neste ano (o mesmo poderá ficar abaixo de 3%) e com um indicativo de um PIB ainda menor para 2012 (2,5% tem sido a tônica do mercado), o governo deverá continuar reduzindo o juro nos primeiros meses do próximo ano (o limite, ditado pelos índices inflacionários, deverá ser o mês de maio, quando a inflação acumulada tende a voltar a subir), assim como retornar aos pacotes de redução de impostos e taxas, visando estimular o consumo junto à população.

O primeiro deles já saiu, favorecendo a chamada “linha branca” e alguns outros produtos. O segundo deverá ser a repetição da redução do IPI para os automóveis, com o viés de que a mesma estará condicionada a que as montadoras aumentem o chamado índice de produtos nacionalizados na construção destes automóveis. Medidas setoriais que encontram fatores limitantes que antes ainda não estavam tão evidentes: a infraestrutura para absorver um aumento neste tipo de consumo está saturada; os consumidores já estão muito endividados, e a inadimplência geral vem crescendo, a ponto de muita gente já estar tentando devolver os carros comprados para as agências ou, no limite, procurando vendê-los, mesmo que o resultado não pague a conta assumida.

O Brasil procura resistir, mas... (II)

Tudo isso porque o essencial o governo ainda se recusa a fazer, embora comece a dar sinais de que muda, aos poucos, de estratégia. Não há reformas estatais que reestruturem o gasto público, reduzindo-o ao tamanho da capacidade da Nação em mantê-lo. Ajustes estes que estão sendo dolorosamente cobrados de todas as nações do mundo, em crise no momento, e mesmo junto aos desenvolvidos. Quanto mais essa ação demorar, pior será a situação futura do Brasil.

Assim, no curto prazo, além dos elementos antes citados, o governo continua, para manter um mínimo de crescimento econômico, irrigando a economia com crédito farto e até subsidiado em muitos setores. Desta forma, o endividamento da sociedade continua a crescer e a capacidade de pagamento vem piorando na medida em que o desemprego começa a surgir na esteira da freada econômica. Não é por nada que, entre janeiro e novembro de 2011, a captação de poupança no país recuou 67,3% em relação a igual período do ano anterior.

Os brasileiros, cada vez mais, gastam seus recursos em dívidas assumidas, não sobrando grande coisa para poupar e gerar um colchão de previdência financeira para quando o Estado chegar aos seus limites. Um desastre anunciado, no horizonte dos próximos anos, se a postura geral não mudar.
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