Retaliação comercial
Diante das constantes ações protecionistas da Argentina, em relação aos produtos importados do Brasil, finalmente nosso país decidiu endurecer o tom e partiu para medidas de retaliação comercial. Isso significa que passamos a colocar barreiras comerciais sobre determinados produtos do vizinho país (no caso, uma barreira não-tarifária pela exigência de licença prévia para o Brasil deixar entrar veículos da Argentina). Em outras palavras, um litígio comercial entre os países se instalou, comprometendo ainda mais a abertura comercial que vem sendo tentada naquilo que passamos a chamar de Mercosul. Dito de outra forma, o futuro da área de livre-comércio está ainda mais difícil. Por outro lado, mesmo ciente de que toda barreira comercial é nefasta para a economia regional e para a população local (os produtos protegidos ficam mais caros ao consumidor, sem falar na dificuldade em acesso a novas tecnologias), não havia mais o que fazer sob o ponto de vista brasileiro. A Argentina, dominada por um governo populista da família Kirchner, entrou em colapso econômico já faz algum tempo. Para conservar um mínimo de popularidade e espaço político, sobrou ao governo local frear a entrada de produtos externos, visando segurar o emprego interno, assim como frear as exportações de alimentos visando segurar a inflação, que estourou faz tempo no vizinho país. Paralelamente, criar barreiras comerciais não é bem-vindo no seio da Organização Mundial do Comércio (OMC), da qual tanto Brasil quanto a Argentina fazem parte. Assim, tal procedimento protecionista deve ser usado para todos os demais países membros da Organização (mais de 150), fato que freia ainda mais o comércio, embora o objetivo seja atingir ao vizinho em particular. Nesta próxima semana, uma reunião ministerial entre os dois membros do Mercosul visa encontrar um acerto em torno destas medidas, agora usadas pelos dois lados. É importante que haja acerto e que o livrecomércio volte efetivamente a funcionar, pois o conjunto da população regional ganha com ele.
Retaliação comercial (II)
Dito isso, a ação brasileira motivou uma reação junto ao setor primário nacional no sentido de colocar o arroz e o trigo, importados em grandes volumes da Argentina, na mesma situação, buscando auxiliar aos produtores destes dois cereais, fortemente debilitados por preços muito baixos tendo, como uma das causas, a entrada do produto argentino em nosso mercado. Por que o governo brasileiro não optou pelos alimentos e sim pelos veículos? Por algumas razões bem simples, inerentes ao jogo comercial internacional. Em primeiro lugar, o Brasil igualmente está às voltas com um aumento da inflação, parte dele reputado ao crescimento dos preços agrícolas. Ora, colocar barreiras à entrada de arroz e trigo significaria encarecer internamente o produto local, fato que seria rapidamente repassado aos consumidores, gerando mais pressão inflacionária, especialmente na área do trigo. Em segundo lugar, atingir aos veículos influencia pouco na demanda nacional, pois apenas um pequeno grupo de brasileiros tem possibilidades de adquirir esse produto. Todavia, para a Argentina, as exportações de veículos de passeio, coletivos e de carga representam mais de 32% de todas as vendas do vizinho país para o Brasil. Assim, o impacto social na Argentina é maior, pois atinge a receita externa do país e o emprego de milhares de operários urbanos. O governo argentino tem muito mais dificuldades em lidar com esse problema do que teria com o setor primário. Isso acaba acelerando o interesse argentino em resolver o problema, o qual passará pela retirada (ou, pelo menos, por uma forte redução, igualmente das barreiras que a Argentina vem aplicando sobre as máquinas agrícolas, calçados e outros produtos brasileiros). E é isso que o Brasil busca no momento! Portanto, está-se praticando nesse caso uma clara “guerra comercial” na mais absoluta lógica do atual processo de globalização econômica que o mundo vive desde meados dos anos de 1980.
Bolsa de valores despenca
Contrariando, por enquanto, as perspectivas dos analistas no início deste ano, quando previram que a Bovespa veria o seu índice chegar ao redor de 80.000 pontos e, com isso, recuperar largamente a queda vertiginosa ocorrida desde a grande crise mundial de 2007/08, o índice Bovespa chega neste dia 19/05 flertando com os 62.000 pontos. Tal índice é um dos piores dos últimos meses. Tanto é verdade que no acumulado do ano as perdas chegam ao redor de 10%, confirmando um descolamento total em relação à Bolsa de Nova York, a qual já ultrapassou os melhores momentos da pré-crise. O que estaria acontecendo? Simplesmente o capital internacional, altamente especulativo, se deu conta de que o governo nacional está indeciso e tímido quanto ao real combate à inflação, fato que o faz abandonar o país. Mais da metade do movimento diário da Bovespa depende do capital internacional. Assim, o impacto de sua saída, mesmo com intensidade moderada, é muito grande. Isso explica igualmente porque o Real se valorizou um pouco nesse mês de maio, tendo chegado até R$ 1,63, depois de longo tempo ao redor de R$ 1,57. Além disso, a iminência de novos aumentos da Selic, para conter a inflação, não agrada os aplicadores na Bolsa, pois isso freia a economia e as vendas das empresas. Enfim, ainda é cedo para conclusões e nada impede que haja forte recuperação da Bovespa até o final do ano, principalmente a partir de setembro quando a inflação tende a baixar. Salvo se os aplicadores estrangeiros estejam considerando que a freada na economia brasileira venha a ser ainda maior do que o calculado, até o momento, e o PIB caia abaixo de 4% ao ano
Diante das constantes ações protecionistas da Argentina, em relação aos produtos importados do Brasil, finalmente nosso país decidiu endurecer o tom e partiu para medidas de retaliação comercial. Isso significa que passamos a colocar barreiras comerciais sobre determinados produtos do vizinho país (no caso, uma barreira não-tarifária pela exigência de licença prévia para o Brasil deixar entrar veículos da Argentina). Em outras palavras, um litígio comercial entre os países se instalou, comprometendo ainda mais a abertura comercial que vem sendo tentada naquilo que passamos a chamar de Mercosul. Dito de outra forma, o futuro da área de livre-comércio está ainda mais difícil. Por outro lado, mesmo ciente de que toda barreira comercial é nefasta para a economia regional e para a população local (os produtos protegidos ficam mais caros ao consumidor, sem falar na dificuldade em acesso a novas tecnologias), não havia mais o que fazer sob o ponto de vista brasileiro. A Argentina, dominada por um governo populista da família Kirchner, entrou em colapso econômico já faz algum tempo. Para conservar um mínimo de popularidade e espaço político, sobrou ao governo local frear a entrada de produtos externos, visando segurar o emprego interno, assim como frear as exportações de alimentos visando segurar a inflação, que estourou faz tempo no vizinho país. Paralelamente, criar barreiras comerciais não é bem-vindo no seio da Organização Mundial do Comércio (OMC), da qual tanto Brasil quanto a Argentina fazem parte. Assim, tal procedimento protecionista deve ser usado para todos os demais países membros da Organização (mais de 150), fato que freia ainda mais o comércio, embora o objetivo seja atingir ao vizinho em particular. Nesta próxima semana, uma reunião ministerial entre os dois membros do Mercosul visa encontrar um acerto em torno destas medidas, agora usadas pelos dois lados. É importante que haja acerto e que o livrecomércio volte efetivamente a funcionar, pois o conjunto da população regional ganha com ele.
Retaliação comercial (II)
Dito isso, a ação brasileira motivou uma reação junto ao setor primário nacional no sentido de colocar o arroz e o trigo, importados em grandes volumes da Argentina, na mesma situação, buscando auxiliar aos produtores destes dois cereais, fortemente debilitados por preços muito baixos tendo, como uma das causas, a entrada do produto argentino em nosso mercado. Por que o governo brasileiro não optou pelos alimentos e sim pelos veículos? Por algumas razões bem simples, inerentes ao jogo comercial internacional. Em primeiro lugar, o Brasil igualmente está às voltas com um aumento da inflação, parte dele reputado ao crescimento dos preços agrícolas. Ora, colocar barreiras à entrada de arroz e trigo significaria encarecer internamente o produto local, fato que seria rapidamente repassado aos consumidores, gerando mais pressão inflacionária, especialmente na área do trigo. Em segundo lugar, atingir aos veículos influencia pouco na demanda nacional, pois apenas um pequeno grupo de brasileiros tem possibilidades de adquirir esse produto. Todavia, para a Argentina, as exportações de veículos de passeio, coletivos e de carga representam mais de 32% de todas as vendas do vizinho país para o Brasil. Assim, o impacto social na Argentina é maior, pois atinge a receita externa do país e o emprego de milhares de operários urbanos. O governo argentino tem muito mais dificuldades em lidar com esse problema do que teria com o setor primário. Isso acaba acelerando o interesse argentino em resolver o problema, o qual passará pela retirada (ou, pelo menos, por uma forte redução, igualmente das barreiras que a Argentina vem aplicando sobre as máquinas agrícolas, calçados e outros produtos brasileiros). E é isso que o Brasil busca no momento! Portanto, está-se praticando nesse caso uma clara “guerra comercial” na mais absoluta lógica do atual processo de globalização econômica que o mundo vive desde meados dos anos de 1980.
Bolsa de valores despenca
Contrariando, por enquanto, as perspectivas dos analistas no início deste ano, quando previram que a Bovespa veria o seu índice chegar ao redor de 80.000 pontos e, com isso, recuperar largamente a queda vertiginosa ocorrida desde a grande crise mundial de 2007/08, o índice Bovespa chega neste dia 19/05 flertando com os 62.000 pontos. Tal índice é um dos piores dos últimos meses. Tanto é verdade que no acumulado do ano as perdas chegam ao redor de 10%, confirmando um descolamento total em relação à Bolsa de Nova York, a qual já ultrapassou os melhores momentos da pré-crise. O que estaria acontecendo? Simplesmente o capital internacional, altamente especulativo, se deu conta de que o governo nacional está indeciso e tímido quanto ao real combate à inflação, fato que o faz abandonar o país. Mais da metade do movimento diário da Bovespa depende do capital internacional. Assim, o impacto de sua saída, mesmo com intensidade moderada, é muito grande. Isso explica igualmente porque o Real se valorizou um pouco nesse mês de maio, tendo chegado até R$ 1,63, depois de longo tempo ao redor de R$ 1,57. Além disso, a iminência de novos aumentos da Selic, para conter a inflação, não agrada os aplicadores na Bolsa, pois isso freia a economia e as vendas das empresas. Enfim, ainda é cedo para conclusões e nada impede que haja forte recuperação da Bovespa até o final do ano, principalmente a partir de setembro quando a inflação tende a baixar. Salvo se os aplicadores estrangeiros estejam considerando que a freada na economia brasileira venha a ser ainda maior do que o calculado, até o momento, e o PIB caia abaixo de 4% ao ano