Uma nova bolha na internet (?)
Primeiro estopim da atual crise mundial, por volta dos anos 2000 e 2001, a crise nas empresas de Internet, junto às Bolsas mundiais, corre o risco de se repetir nos próximos meses. Num momento em que o mundo continua envolvido com os problemas estruturais da atual crise. A queda das cotações nas Bolsas nesta última quinta-feira (18) confirma que estamos longe de sair da crise eclodida em 2007/08 e que a volatilidade nociva, por ser de grande extensão em curto espaço de tempo entre uma e outra, continuará. No meio dela, ainda há o risco da União Europeia afundar, se obrigando a retroceder no seu sistema monetário, eliminando o euro (uma conquista na lógica da integração econômica regional) e forçando os países membros a voltarem as suas moedas tradicionais e reabrirem seus bancos centrais. Ou seja, tudo isso está longe de ser pouca coisa, inclusive para o Brasil. Tanto é verdade que o atual governo brasileiro parece estar com uma visão mais pragmática do real problema que nos assola, deixando de lado o jogo de palavras inconseqüentes da era Lula. O problema central nas bolsas de valores é que a ação dos especuladores, dopados por um imenso volume de capital financeiro disponível, oriundo de governos onde os gastos públicos não param de crescer, leva a uma valorização dos papéis (ações de empresas) muito acima do que sua produção real o permite. Assim, as empresas são valorizadas em bolsa para além do que sua real ação econômica o justifica. Quando a bolha estoura, tudo tende a voltar à realidade e as perdas são gigantescas para muitos, atingindo a própria economia real, que acaba colocando seu dinheiro nesse “cassino” desregulamentado.
Uma nova bolha na internet (?) (II)
Pois 10 anos após a crise das empresas ligadas a Internet, um novo processo especulativo estaria gerando nova bolha, com todos os seus perigos. Trata-se da supervalorização das redes sociais existentes na Internet. Para se ter uma ideia da distância existente entre sua capitalização bursátil e seu faturamento na economia real, seguem alguns números: a Renren (rede social chinesa) possui um faturamento de US$ 76,5 milhões, contra uma capitalização bursátil de US$ 3,48 bilhões, ou seja, 45 vezes seu faturamento; a Linkedin (rede social profissional dos EUA) possui um faturamento de US$ 243 milhões e uma capitalização de US$ 8,42 bilhões (35 vezes mais); a Yandex (motor de pesquisa russo) fatura anualmente US$ 440 milhões e possui uma capitalização de US$ 11,17 bilhões (25 vezes mais); Pandora (site estadunidense de radio na Internet) fatura US$ 137 milhões para uma capitalização bursátil de US$ 2,8 bilhões (20 vezes mais); e assim por diante. Espera-se agora que Facebook ofereça ações em Bolsa (o mercado já adianta um valor bursátil, se isso vier a acontecer, da ordem de US$ 100 bilhões).
Uma nova bolha na internet (?) (III)
Ora, em isso acontecendo, as ações da Facebook valeriam cerca de metade da atual dívida externa do Brasil. Um contra-senso que leva os especialistas a predizerem o surgimento de uma nova bolha pronta a explodir num cenário de crise maior que se perpetua. Caso isso ocorra, os valores bursáteis despencam, carregando consigo a economia real que neles apostou, gerando as conseqüências econômicas e sociais que conhecemos. Apenas para lembrar, há alguns anos atrás MySpace era “a rede da moda”. Pois ela acaba de ser comprada por apenas US$ 35 milhões. Sem esquecer do Lehman Brothers, um banco de mais de 180 anos, que quebrou em setembro de 2008 por alavancar 50 vezes o real capital que tinha disponível. O delírio bursátil é tanto, carregando a economia real para uma crise sem precedentes na atualidade, que a empresa Linkedin, que entrou em maio na Bolsa, já em julho assistia seus preços bursáteis se valorizarem em 517 vezes o seu lucro real. Uma empresa comum, a título de comparação, consegue na Bolsa entre 10 a 12 vezes a valorização de seus lucros. Enquanto esta farra bursátil continuar, o mundo não sairá da crise em que se vê envolvido há quatro anos, como já se alertou muitos meses atrás.
Arrecadação de impostos aumenta
Além do alto número de impostos, que continua a crescer, o Brasil, graças aos sistemas informatizados, passou a controlar melhor a arrecadação, combatendo a sonegação. Isso explica o maior volume de impostos arrecadados em meados de agosto (R$ 900 bilhões, 34 dias antes deste valor ser obtido em 2010, sendo que em 2006 e 2005 esse valor nem chegou a ser obtido). Assim, como se explica que num ano em que o governo freia a economia, arrecadamos mais do que em anos em que a economia estava em pleno crescimento? Diversas respostas são possíveis, todavia, a principal se encontra no fato de que, hoje, 37% de nosso PIB anual corresponde a arrecadação tributária no país. Essa altíssima concentração de renda junto a União (a mesma fica com cerca de 70% da carga tributária) tira competitividade do setor produtivo e das pessoas em geral. É claro que isso poderia ser evitado se o Estado oferecesse serviços de qualidade aos cidadãos e empresas, porém, raros são os casos dessa contrapartida positiva. No geral, assistimos a uma gestão desastrosa do dinheiro público, com alta burocracia e uma corrupção desenfreada. O retorno em políticas públicas decentes, no Brasil dos últimos anos, é muito pequeno se comparado ao tamanho da arrecadação realizada no país. Uma reforma tributária eficiente, assim como tantas outras, urge se quisermos avançar para o desenvolvimento.
Primeiro estopim da atual crise mundial, por volta dos anos 2000 e 2001, a crise nas empresas de Internet, junto às Bolsas mundiais, corre o risco de se repetir nos próximos meses. Num momento em que o mundo continua envolvido com os problemas estruturais da atual crise. A queda das cotações nas Bolsas nesta última quinta-feira (18) confirma que estamos longe de sair da crise eclodida em 2007/08 e que a volatilidade nociva, por ser de grande extensão em curto espaço de tempo entre uma e outra, continuará. No meio dela, ainda há o risco da União Europeia afundar, se obrigando a retroceder no seu sistema monetário, eliminando o euro (uma conquista na lógica da integração econômica regional) e forçando os países membros a voltarem as suas moedas tradicionais e reabrirem seus bancos centrais. Ou seja, tudo isso está longe de ser pouca coisa, inclusive para o Brasil. Tanto é verdade que o atual governo brasileiro parece estar com uma visão mais pragmática do real problema que nos assola, deixando de lado o jogo de palavras inconseqüentes da era Lula. O problema central nas bolsas de valores é que a ação dos especuladores, dopados por um imenso volume de capital financeiro disponível, oriundo de governos onde os gastos públicos não param de crescer, leva a uma valorização dos papéis (ações de empresas) muito acima do que sua produção real o permite. Assim, as empresas são valorizadas em bolsa para além do que sua real ação econômica o justifica. Quando a bolha estoura, tudo tende a voltar à realidade e as perdas são gigantescas para muitos, atingindo a própria economia real, que acaba colocando seu dinheiro nesse “cassino” desregulamentado.
Uma nova bolha na internet (?) (II)
Pois 10 anos após a crise das empresas ligadas a Internet, um novo processo especulativo estaria gerando nova bolha, com todos os seus perigos. Trata-se da supervalorização das redes sociais existentes na Internet. Para se ter uma ideia da distância existente entre sua capitalização bursátil e seu faturamento na economia real, seguem alguns números: a Renren (rede social chinesa) possui um faturamento de US$ 76,5 milhões, contra uma capitalização bursátil de US$ 3,48 bilhões, ou seja, 45 vezes seu faturamento; a Linkedin (rede social profissional dos EUA) possui um faturamento de US$ 243 milhões e uma capitalização de US$ 8,42 bilhões (35 vezes mais); a Yandex (motor de pesquisa russo) fatura anualmente US$ 440 milhões e possui uma capitalização de US$ 11,17 bilhões (25 vezes mais); Pandora (site estadunidense de radio na Internet) fatura US$ 137 milhões para uma capitalização bursátil de US$ 2,8 bilhões (20 vezes mais); e assim por diante. Espera-se agora que Facebook ofereça ações em Bolsa (o mercado já adianta um valor bursátil, se isso vier a acontecer, da ordem de US$ 100 bilhões).
Uma nova bolha na internet (?) (III)
Ora, em isso acontecendo, as ações da Facebook valeriam cerca de metade da atual dívida externa do Brasil. Um contra-senso que leva os especialistas a predizerem o surgimento de uma nova bolha pronta a explodir num cenário de crise maior que se perpetua. Caso isso ocorra, os valores bursáteis despencam, carregando consigo a economia real que neles apostou, gerando as conseqüências econômicas e sociais que conhecemos. Apenas para lembrar, há alguns anos atrás MySpace era “a rede da moda”. Pois ela acaba de ser comprada por apenas US$ 35 milhões. Sem esquecer do Lehman Brothers, um banco de mais de 180 anos, que quebrou em setembro de 2008 por alavancar 50 vezes o real capital que tinha disponível. O delírio bursátil é tanto, carregando a economia real para uma crise sem precedentes na atualidade, que a empresa Linkedin, que entrou em maio na Bolsa, já em julho assistia seus preços bursáteis se valorizarem em 517 vezes o seu lucro real. Uma empresa comum, a título de comparação, consegue na Bolsa entre 10 a 12 vezes a valorização de seus lucros. Enquanto esta farra bursátil continuar, o mundo não sairá da crise em que se vê envolvido há quatro anos, como já se alertou muitos meses atrás.
Arrecadação de impostos aumenta
Além do alto número de impostos, que continua a crescer, o Brasil, graças aos sistemas informatizados, passou a controlar melhor a arrecadação, combatendo a sonegação. Isso explica o maior volume de impostos arrecadados em meados de agosto (R$ 900 bilhões, 34 dias antes deste valor ser obtido em 2010, sendo que em 2006 e 2005 esse valor nem chegou a ser obtido). Assim, como se explica que num ano em que o governo freia a economia, arrecadamos mais do que em anos em que a economia estava em pleno crescimento? Diversas respostas são possíveis, todavia, a principal se encontra no fato de que, hoje, 37% de nosso PIB anual corresponde a arrecadação tributária no país. Essa altíssima concentração de renda junto a União (a mesma fica com cerca de 70% da carga tributária) tira competitividade do setor produtivo e das pessoas em geral. É claro que isso poderia ser evitado se o Estado oferecesse serviços de qualidade aos cidadãos e empresas, porém, raros são os casos dessa contrapartida positiva. No geral, assistimos a uma gestão desastrosa do dinheiro público, com alta burocracia e uma corrupção desenfreada. O retorno em políticas públicas decentes, no Brasil dos últimos anos, é muito pequeno se comparado ao tamanho da arrecadação realizada no país. Uma reforma tributária eficiente, assim como tantas outras, urge se quisermos avançar para o desenvolvimento.