Chicago mais baixos
As cotações dos principais grãos (soja, milho e trigo) em Chicago recuaram sensivelmente nestes últimos dias. Em alguns casos, como o do trigo, a cotação de US$ 5,79/bushel, registrada no dia 23/11, foi a pior dos últimos 16 meses. Em comparação há um ano atrás, o recuo se cristaliza, desenhando um cenário de preços diferente para esta próxima safra de verão no que diz respeito ao comércio internacional. Assim, enquanto o bushel de soja fechava o dia 23/11 em US$ 11,22, um ano antes o mesmo valia US$ 12,55. Ou seja, há um recuo de 10,6% no período ou menos US$ 1,33/bushel no período. No milho, todavia, mesmo com o forte recuo neste mês de novembro, na comparação anual o bushel se mantém acima do registrado no ano passado. Assim, o fechamento deste dia 23/11 (US$ 5,88) é 9,3% superior ao valor registrado um ano antes (US$ 5,38/bushel). Enfim, o trigo, em Chicago, ao bater em US$ 5,79/bushel no último dia útil desta semana nos EUA (devido ao feriadão de Ação de Graças, iniciado em 24/11, as bolsas estadunidenses deverão retornar à atividade apenas em 28 de novembro), ficou 10,5% mais barato do que um ano antes.
Chicago mais baixos (II)
Para os produtores brasileiros, tal comportamento acaba se refletindo no preço de seus produtos. No caso da soja, a desvalorização do Real no período compensa em parte as perdas em Chicago. Afinal, nossa moeda fechou o dia 24/11 em R$ 1,89, contra R$ 1,72 um ano antes. Isso significa uma desvalorização de 9,9%. Desta forma, se confirma a relação quase que direta entre o comportamento das cotações em Chicago e do dólar dos EUA. Ao mesmo tempo, se confirma que as perdas em Chicago acabam sendo um pouco superiores à compensação cambial que os produtores rurais venham a obter. Tanto é verdade que o preço médio da soja, nesta última semana de novembro/11 é de R$ 41,10/saco no Estado do Rio Grande do Sul (preço de balcão), enquanto na mesma semana do no passado esse preço estava em R$ 42,76/saco. Ou seja, tem-se uma perda de 3,9% em um ano! Obviamente, muitos fatores ainda se farão presentes até a próxima colheita de verão, mas o desenho atual indica um mercado menos aquecido em 2012. Particularmente se a crise econômica mundial continuar retirando das bolsas os especuladores financeiros, como tem sido o caso nestes últimos dias. Isso justifica mais ainda o acerto daqueles que comercializaram antecipadamente parte da sua safra, antes mesmo de plantá-la, travando preços ao redor de R$ 50,00/saco em muitos casos.
Câmbio na berlinda
A Organização Mundial do Comércio (OMC), operando desde 1º de janeiro de 1995, na continuidade do GATT, criado em 1947, vela pela liberdade do comércio mundial, procurando impedir que os países a ela ligados (153 atualmente) criem barreiras protecionistas às trocas comerciais entre si. As regras da OMC procuram impedir a prática da tarifa aduaneira, dumping, contingenciamento, subsídios ao comércio e à produção e assim por diante. Obviamente, sua ação está longe de obter um grande sucesso, pois todos os países do mundo, inclusive o Brasil, colocam em prática sistemas de proteção e subsídios, mesmo que camuflados. Mas a Organização tem conseguido alcançar certo liberalismo econômico nestes 16 anos de vida. Todavia, desde 1947 nunca se conseguiu atuar sobre um dos elementos centrais da competitividade artificial que muitos países conseguem obter: o câmbio. Dito de outra maneira, para ganhar competitividade no comércio mundial basta desvalorizar a sua moeda, perante o dólar, que a tendência é o país exportar mais, pois seus produtos ficam relativamente mais baratos. Esse instrumento comercial, muito usado nos últimos anos pelos EUA e pela China, tem causado atritos razoáveis entre os países. O Brasil, que viu sua moeda se valorizar em demasia nos últimos três anos particularmente, se sentiu lesado, por exemplo, diante de tal prática. A novidade é que nosso país teria conseguido aprovar, na OMC, a realização de um seminário para que se discuta a relação entre o câmbio e o comércio internacional. Esse debate, com apoio inclusive dos EUA e da China, se dará no primeiro trimestre de 2012. Caso o mesmo consiga obter resultados práticos, será um avanço sensível na direção de fortes alterações no contexto das trocas internacionais. Todavia, a complexidade do assunto não permite que sejamos otimistas!
As cotações dos principais grãos (soja, milho e trigo) em Chicago recuaram sensivelmente nestes últimos dias. Em alguns casos, como o do trigo, a cotação de US$ 5,79/bushel, registrada no dia 23/11, foi a pior dos últimos 16 meses. Em comparação há um ano atrás, o recuo se cristaliza, desenhando um cenário de preços diferente para esta próxima safra de verão no que diz respeito ao comércio internacional. Assim, enquanto o bushel de soja fechava o dia 23/11 em US$ 11,22, um ano antes o mesmo valia US$ 12,55. Ou seja, há um recuo de 10,6% no período ou menos US$ 1,33/bushel no período. No milho, todavia, mesmo com o forte recuo neste mês de novembro, na comparação anual o bushel se mantém acima do registrado no ano passado. Assim, o fechamento deste dia 23/11 (US$ 5,88) é 9,3% superior ao valor registrado um ano antes (US$ 5,38/bushel). Enfim, o trigo, em Chicago, ao bater em US$ 5,79/bushel no último dia útil desta semana nos EUA (devido ao feriadão de Ação de Graças, iniciado em 24/11, as bolsas estadunidenses deverão retornar à atividade apenas em 28 de novembro), ficou 10,5% mais barato do que um ano antes.
Chicago mais baixos (II)
Para os produtores brasileiros, tal comportamento acaba se refletindo no preço de seus produtos. No caso da soja, a desvalorização do Real no período compensa em parte as perdas em Chicago. Afinal, nossa moeda fechou o dia 24/11 em R$ 1,89, contra R$ 1,72 um ano antes. Isso significa uma desvalorização de 9,9%. Desta forma, se confirma a relação quase que direta entre o comportamento das cotações em Chicago e do dólar dos EUA. Ao mesmo tempo, se confirma que as perdas em Chicago acabam sendo um pouco superiores à compensação cambial que os produtores rurais venham a obter. Tanto é verdade que o preço médio da soja, nesta última semana de novembro/11 é de R$ 41,10/saco no Estado do Rio Grande do Sul (preço de balcão), enquanto na mesma semana do no passado esse preço estava em R$ 42,76/saco. Ou seja, tem-se uma perda de 3,9% em um ano! Obviamente, muitos fatores ainda se farão presentes até a próxima colheita de verão, mas o desenho atual indica um mercado menos aquecido em 2012. Particularmente se a crise econômica mundial continuar retirando das bolsas os especuladores financeiros, como tem sido o caso nestes últimos dias. Isso justifica mais ainda o acerto daqueles que comercializaram antecipadamente parte da sua safra, antes mesmo de plantá-la, travando preços ao redor de R$ 50,00/saco em muitos casos.
Câmbio na berlinda
A Organização Mundial do Comércio (OMC), operando desde 1º de janeiro de 1995, na continuidade do GATT, criado em 1947, vela pela liberdade do comércio mundial, procurando impedir que os países a ela ligados (153 atualmente) criem barreiras protecionistas às trocas comerciais entre si. As regras da OMC procuram impedir a prática da tarifa aduaneira, dumping, contingenciamento, subsídios ao comércio e à produção e assim por diante. Obviamente, sua ação está longe de obter um grande sucesso, pois todos os países do mundo, inclusive o Brasil, colocam em prática sistemas de proteção e subsídios, mesmo que camuflados. Mas a Organização tem conseguido alcançar certo liberalismo econômico nestes 16 anos de vida. Todavia, desde 1947 nunca se conseguiu atuar sobre um dos elementos centrais da competitividade artificial que muitos países conseguem obter: o câmbio. Dito de outra maneira, para ganhar competitividade no comércio mundial basta desvalorizar a sua moeda, perante o dólar, que a tendência é o país exportar mais, pois seus produtos ficam relativamente mais baratos. Esse instrumento comercial, muito usado nos últimos anos pelos EUA e pela China, tem causado atritos razoáveis entre os países. O Brasil, que viu sua moeda se valorizar em demasia nos últimos três anos particularmente, se sentiu lesado, por exemplo, diante de tal prática. A novidade é que nosso país teria conseguido aprovar, na OMC, a realização de um seminário para que se discuta a relação entre o câmbio e o comércio internacional. Esse debate, com apoio inclusive dos EUA e da China, se dará no primeiro trimestre de 2012. Caso o mesmo consiga obter resultados práticos, será um avanço sensível na direção de fortes alterações no contexto das trocas internacionais. Todavia, a complexidade do assunto não permite que sejamos otimistas!