Que a crise atual na União Europeia é séria, ameaçando a própria sobrevivência do euro, ninguém mais duvida. A mesma, um capítulo adicional da grande crise mundial iniciada em 2007/08, vem se somar a um conjunto de problemas econômicos que o mundo enfrenta desde então e que se agravaram no segundo semestre de 2011.
Todavia, o que talvez pouca gente ainda tenha se dado conta é que a dimensão da crise europeia atual está ameaçando a União a viver a sua “década perdida” economicamente. Ou seja, após o Brasil e grande parte das economias latino-americanas nos anos de 1980, e após o Japão nos anos de 1990, a União Europeia seria a “bola da vez”. O agravante é que as crises anteriores ficaram restritas aos países ou regiões citadas.
No caso da Europa, a crise se agrava no contexto de um mundo inteiro em graves problemas econômicos, e ainda sem encontrar soluções, mesmo já tendo passado cinco anos do seu início. Para o FMI e muitos economistas, efetivamente a União Europeia já teria dado início à sua década perdida. Isso porque os sintomas atuais são semelhantes aos vividos pelo Japão. Ou seja: para manter um crescimento econômico importante, o governo japonês, diante da alta do yene, opta por uma forte redução do juro interno, fato que inunda o país de liquidez.
O preço do setor imobiliário dispara, a Bolsa de Tóquio sobe fortemente e a especulação explode. A bolha japonesa estoura entre 1989 e 1991, os preços despencam e a destruição de riqueza imobiliária e na Bolsa somam 1,5 quatrilhão de yenes.
Uma década perdida na Europa? (II)
Dito de outra maneira, as perdas representaram, na época, três vezes o PIB do Japão. Os bancos japoneses ficam com as dívidas ruins e, o Estado, para tentar recuperar a economia local lança programas políticos de recuperação econômica. A dívida pública estoura e o país entra numa forte deflação, com baixa generalizada de salários.
Assustada e envelhecida a população passa a poupar mais do que a consumir. A economia freia e, entre 1992 e 2002 o PIB japonês não consegue ultrapassar 0,8% ao ano. Até hoje o país do sol nascente ainda não se recuperou de tal desastre! Pois a Europa estaria entrando agora no mesmo processo, segundo muitos analistas. Embora haja divergências sobre o tema, o fato é que a realidade assusta.
Afinal, no caso europeu, a contaminação será mundial, fato que não ocorreu no caso japonês. O grande problema europeu é que sua dívida está nas mãos do mercado, que executa constantes ataques especulativos, piorando a situação.
Assim, a União Europeia precisa resolver o grave problema de suas dívidas soberanas. Para tanto, o Banco Central Europeu teria que comprar massiçamente as dívidas públicas atacadas pela especulação. Na prática, há três soluções: dar calote, comprometendo o futuro da União; emitir para pagar a conta, gerando inflação que levaria a uma década perdida como se viu na América Latina no passado; ou assumir a dívida, corrigindo as políticas praticadas, reduzindo mais as despesas do que aumentando os impostos. O “estado do bem-estar social” terminou e um novo modelo terá que ser posto em prática!
Todavia, o que talvez pouca gente ainda tenha se dado conta é que a dimensão da crise europeia atual está ameaçando a União a viver a sua “década perdida” economicamente. Ou seja, após o Brasil e grande parte das economias latino-americanas nos anos de 1980, e após o Japão nos anos de 1990, a União Europeia seria a “bola da vez”. O agravante é que as crises anteriores ficaram restritas aos países ou regiões citadas.
No caso da Europa, a crise se agrava no contexto de um mundo inteiro em graves problemas econômicos, e ainda sem encontrar soluções, mesmo já tendo passado cinco anos do seu início. Para o FMI e muitos economistas, efetivamente a União Europeia já teria dado início à sua década perdida. Isso porque os sintomas atuais são semelhantes aos vividos pelo Japão. Ou seja: para manter um crescimento econômico importante, o governo japonês, diante da alta do yene, opta por uma forte redução do juro interno, fato que inunda o país de liquidez.
O preço do setor imobiliário dispara, a Bolsa de Tóquio sobe fortemente e a especulação explode. A bolha japonesa estoura entre 1989 e 1991, os preços despencam e a destruição de riqueza imobiliária e na Bolsa somam 1,5 quatrilhão de yenes.
Uma década perdida na Europa? (II)
Dito de outra maneira, as perdas representaram, na época, três vezes o PIB do Japão. Os bancos japoneses ficam com as dívidas ruins e, o Estado, para tentar recuperar a economia local lança programas políticos de recuperação econômica. A dívida pública estoura e o país entra numa forte deflação, com baixa generalizada de salários.
Assustada e envelhecida a população passa a poupar mais do que a consumir. A economia freia e, entre 1992 e 2002 o PIB japonês não consegue ultrapassar 0,8% ao ano. Até hoje o país do sol nascente ainda não se recuperou de tal desastre! Pois a Europa estaria entrando agora no mesmo processo, segundo muitos analistas. Embora haja divergências sobre o tema, o fato é que a realidade assusta.
Afinal, no caso europeu, a contaminação será mundial, fato que não ocorreu no caso japonês. O grande problema europeu é que sua dívida está nas mãos do mercado, que executa constantes ataques especulativos, piorando a situação.
Assim, a União Europeia precisa resolver o grave problema de suas dívidas soberanas. Para tanto, o Banco Central Europeu teria que comprar massiçamente as dívidas públicas atacadas pela especulação. Na prática, há três soluções: dar calote, comprometendo o futuro da União; emitir para pagar a conta, gerando inflação que levaria a uma década perdida como se viu na América Latina no passado; ou assumir a dívida, corrigindo as políticas praticadas, reduzindo mais as despesas do que aumentando os impostos. O “estado do bem-estar social” terminou e um novo modelo terá que ser posto em prática!