"Marco regulatório precisa convergir com a realidade da agricultura tropical brasileira", diz presidente da CropLife
Regulação moderna como condição para competitividade
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Para Ana Repezza, regulação baseada em parâmetros de países temperados compromete a competitividade brasileira e trava o avanço da inovação no campo tropical
A presidente da CropLife Brasil, Ana Repezza, tem uma tese clara: o Brasil não chegou onde chegou no agronegócio por acaso — e a regulação precisa reconhecer isso. Para ela, a competitividade do campo brasileiro é fruto de décadas de ciência aplicada, não de condições naturais privilegiadas. E enquanto o marco regulatório continuar sendo moldado por parâmetros importados de países de clima temperado, o país corre o risco de travar justamente o que o diferencia no mercado global. Foi com esse argumento que a CropLife Brasil lançou, nesta quarta-feira (27), em Brasília, a campanha "O que é que só o Brasil tem?".
Três safras por ano, pressão de pragas o ano todo
O ponto de partida de Repezza é a especificidade do ambiente produtivo brasileiro. Solo, clima, regime de plantio — tudo aqui funciona de forma diferente. O Brasil permite até três safras por ano, mas isso tem um custo: a pressão de pragas e doenças é constante, sem a trégua que o inverno oferece em regiões temperadas. Esse contexto, segundo ela, exige soluções desenvolvidas para essa realidade, não adaptadas de outros contextos.
"Não é possível regular a pesquisa e a inovação voltada para essa agricultura tropical utilizando parâmetros importados de outros países e outras culturas. Esse é o mote da nossa campanha: a gente realmente busca um marco regulatório que convirja com a realidade da agricultura tropical brasileira", afirmou a presidente da CropLife Brasil.
Regulação moderna como condição para competitividade
Para Repezza, a modernização do marco regulatório não é pauta do setor privado — é condição estrutural para que o Brasil continue cumprindo seu papel no abastecimento global. O argumento é direto: quando a regulação é mais aderente à realidade tropical, mais empresas se sentem seguras para investir em inovação, desenvolver novos produtos e novos insumos. E isso se traduz em competitividade real para o produtor no campo.
"A modernização do marco regulatório visa justamente garantir que o Brasil continue competitivo, com ganhos de produtividade que permitam que a gente forneça segurança alimentar e energética para o mundo todo", disse ela. Para a presidente da CropLife, esse movimento precisa acontecer sempre em sintonia com a proteção ao meio ambiente e à saúde humana — sem abrir mão de nenhum dos dois lados.
Um dos argumentos mais contundentes de Ana Repezza diz respeito a um equívoco que, segundo ela, persiste até entre quem formula políticas públicas: a ideia de que o Brasil produz bem porque tem terra, sol e biodiversidade em abundância. A presidente da CropLife rebate essa visão com dados e história.
O Brasil é o único país do cinturão tropical com protagonismo mundial em exportações agrícolas e com capacidade de ofertar segurança alimentar em escala global. Mas esse posto, diz Repezza, não foi conquistado pela geografia — foi construído por ciência. "Nossa competitividade mundial não é fruto simplesmente dos dotes naturais que o Brasil dispõe — o sol, a vegetação, a biodiversidade. Ela é fruto de uma tecnologia, uma ciência aplicada que já existe há décadas aqui no país", afirmou.
O que acende o alerta, na avaliação da presidente da CropLife, é o resultado de uma pesquisa inédita encomendada pela entidade à Nexus. O levantamento ouviu congressistas, membros do Poder Executivo federal, jornalistas e empresários do agronegócio — e revelou que 24% dos entrevistados não souberam definir o que é agricultura tropical. Entre os que associaram alguma ideia ao conceito, "clima brasileiro" e "frutas" foram as respostas mais comuns, citadas por 7% cada. Apenas 1% associou o termo à tecnologia.
Para Repezza, o dado mostra que o problema vai além da comunicação. "Talvez a nossa sociedade, e em certa medida até mesmo os reguladores, ainda não percebam que a nossa competitividade mundial é fruto de tecnologia e ciência aplicada", avaliou. É justamente para enfrentar esse desconhecimento que a campanha foi criada — com ações digitais, hub de conteúdo e materiais explicativos voltados tanto ao público especializado quanto à sociedade em geral.
Marcos modernos para garantir o futuro do agro
A conclusão de Ana Repezza é também um recado ao poder público: os ganhos de competitividade que o Brasil acumulou ao longo de décadas não são automáticos nem permanentes. Eles dependem de um ambiente regulatório que acompanhe a evolução da ciência e da produção tropical. "A gente precisa ter marcos regulatórios cada vez mais modernos para garantir que esses ganhos de competitividade sejam perenes e sustentáveis ao longo do tempo", disse a presidente da CropLife Brasil.
A campanha "O que é que só o Brasil tem?" pode ser acompanhada pelo perfil @agriculturatropicalbr no Instagram, @agricultura-tropical-br no LinkedIn e pelo site www.agriculturatropical.org.br.