Preços das commodities devem recuar em 2014
A soja pode repetir a queda de 2013
Tanto no caso das commodities agrícolas como minerais, o setor produtivo deve ofertar maiores volumes e reabastecer os estoques globais, pressionando os preços. A retirada de estímulos monetários pelo Federal Reserve (Fed - o banco central americano) também pode ter impacto nos produtos agrícolas, que devem ficar menos atrativos no mercado de títulos dos EUA.
A soja pode repetir a queda de 2013, embora a previsão de supersafra dependa de condições climáticas favoráveis. Já milho e trigo podem ter queda maior. O ajuste dos preços só não deve ser tão forte como neste ano por causa da demanda chinesa, segundo Steve Cacchia, da Cerealpar. A queda também deve ocorrer com os preços do café, já que a supersafra deve aumentar os já elevados estoques globais do grão.
No caso do algodão, a demanda mais forte que a oferta deve impedir que a commodity siga o movimento de queda, mas os estoques devem continuar altos até 2015 e garantir oferta para o mercado de fibras, observa Fabio Silveira, da GO Associados.
A exceção é o mercado do açúcar, que deve voltar a ver aumento de demanda com a lenta recuperação da crise mundial. A expectativa é que os preços comecem a reagir em maio, segundo Plinio Nastari, da Datagro.
No caso do minério de ferro - responsável por 15% da balança comercial brasileira -, os preços também devem registrar ligeira queda em 2014, principalmente devido ao crescimento mais moderado da China. "Apesar do desempenho acima do esperado no final deste ano, os preços do minério de ferro e também de metais não preciosos devem apresentar ligeira queda no ano", afirma o analista de pesquisa econômica do Itaú BBA, Artur Passos.