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“Super El Niño” é exagero? Especialista critica alarmismo

“Super El Niño” pode gerar mais confusão do que informação


Foto: NOAA

A possível volta do fenômeno climático El Niño no segundo semestre de 2026 já mobiliza previsões internacionais e manchetes alarmistas. Especialistas alertam, no entanto, que exageros na comunicação podem gerar ansiedade e decisões equivocadas, especialmente no agronegócio.

Previsões indicam retorno do El Niño, mas intensidade ainda é incerta

A perspectiva de um novo episódio de El Niño em 2026 vem sendo confirmada por centros internacionais de meteorologia, como o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF) e o NOAA Climate Prediction Center. As projeções indicam que o fenômeno deve se estabelecer no segundo semestre, com pico no início de 2027.

Segundo o pesquisador Gilberto Cunha, colunista responsável pela análise, há sinais consistentes da formação do fenômeno, como o aquecimento das águas subsuperficiais do Oceano Pacífico — que já registram anomalias de até 1,6 ºC — e a intensificação dos ventos de oeste na região equatorial.

“Sim, é possível a configuração de um evento forte até o final do ano”, afirma Cunha.

Apesar disso, ele ressalta que ainda há incertezas relevantes, principalmente quanto à intensidade do evento — fator crucial para determinar os impactos no clima global e na produção agrícola.

“Super El Niño” pode gerar mais confusão do que informação

Um dos principais pontos de crítica do especialista está na forma como o fenômeno vem sendo retratado na mídia. Termos como “Super El Niño” ou até “El Niño Godzilla” têm sido amplamente utilizados, muitas vezes sem o devido contexto científico.

Cunha explica que o termo “Super El Niño” existe na literatura científica, mas refere-se a uma classificação específica, baseada não apenas na temperatura do oceano, mas também em padrões atmosféricos complexos.

“Para muita gente, esses rótulos podem ser fonte de ansiedade e dar azo à tomada de decisões equivocadas”, alerta.

Historicamente, eventos classificados como “super” ocorreram em anos como 1982/83 e 1997/98 — episódios marcados por impactos climáticos severos em diversas regiões do planeta.

Intensidade não determina impacto direto no campo

Outro ponto central destacado na análise é a diferença entre prever o fenômeno e prever seus efeitos.

De acordo com a classificação mais adotada atualmente, baseada no índice RONI (Região Niño 3.4), os eventos são divididos em fracos, moderados, fortes e muito fortes.

No entanto, Cunha enfatiza que intensidade não significa necessariamente impacto direto:

“A força do El Niño não significa, necessariamente, que os impactos serão severos; mas que é mais provável que ocorram extremos climáticos.”

Esse ponto é particularmente relevante para o agronegócio, onde decisões de plantio, manejo e investimento podem ser influenciadas por previsões climáticas.

Memória recente reforça preocupação no Sul do Brasil

A preocupação com o novo evento também se apoia em experiências recentes. O El Niño 2023/2024 esteve associado a eventos extremos no Brasil, incluindo as enchentes históricas no Sul, entre abril e maio de 2024.

Esses episódios reforçam a necessidade de preparo, mas também evidenciam os riscos de interpretações simplificadas ou alarmistas.

Mudanças climáticas ampliam debate

O pesquisador também chama atenção para o contexto de aquecimento global. Mesmo com divergências entre especialistas, há consenso crescente de que mudanças climáticas podem influenciar a frequência e intensidade dos eventos de El Niño.

Esse cenário adiciona complexidade às previsões e exige maior rigor na comunicação científica e jornalística.

Estratégia e informação confiável são chave para o agro

Diante do cenário, a principal recomendação é clara: evitar decisões precipitadas baseadas em manchetes sensacionalistas e buscar fontes confiáveis de informação.

“Não é a primeira e nem será a última vez que enfrentaremos um El Niño”, destaca Cunha.

Para o setor agropecuário, isso se traduz na adoção de estratégias de gestão de risco, planejamento climático e uso qualificado das previsões.

A possível volta do El Niño em 2026 exige atenção, mas também equilíbrio.

Leia a coluna na íntegra: clique aqui.

 

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