Abate de suínos e bovinos atinge recorde no Brasil
Santa Catarina manteve a liderança nacional
Foto: Alexandre Teixeira
O abate de suínos no Brasil atingiu o recorde histórico de 60,69 milhões de cabeças em 2025, o que representa um aumento de 4,3% (2,51 milhões de cabeças) em relação ao ano anterior. Os dados constam nos resultados completos da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, divulgados nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, o maior da série histórica iniciada em 1997, foi impulsionado pelo volume recorde de exportações e pela redução dos custos de produção no país ao longo do ano.
Santa Catarina manteve a liderança nacional no abate de suínos, respondendo por 28,2% do total processado no Brasil, seguida por Paraná (21,2%) e Rio Grande do Sul (17,9%). De acordo com a gerente de Pecuária do IBGE, Angela Lordão, as margens dos produtores foram equilibradas devido à supersafra de grãos, que barateou a ração, aliada aos preços firmes mantidos no mercado interno. No mercado externo, as Filipinas se destacaram ao absorver 25,8% de toda a carne suína embarcada pelo Brasil no ano. Apenas no quarto trimestre de 2025, o abate de suínos somou 15,29 milhões de cabeças.
O desempenho positivo da suinocultura acompanha um cenário de alta geral na pecuária brasileira, que registrou recordes absolutos em todas as suas principais frentes. O abate de bovinos chegou a 42,94 milhões de cabeças, um salto expressivo de 8,2% frente a 2024. Segundo a pesquisadora do IBGE, este mercado foi marcado por uma demanda interna e externa aquecida e pela forte participação de fêmeas, que representaram 46,8% dos abates. O crescimento na produção bovina ocorreu em 25 das 27 unidades da federação, com destaque nominal para São Paulo, Pará e Rondônia. Com a alta na oferta de gado, a aquisição de couro pelos curtumes também bateu recorde, chegando a 44,03 milhões de peças inteiras.

O setor avícola acompanhou a tendência de crescimento. O abate de frangos somou 6,69 bilhões de cabeças em 2025 (alta de 3,1%), com o Paraná mantendo a liderança nacional (34,4%). O IBGE destacou que a organização do setor evitou prejuízos estruturais com os casos de gripe aviária no país. O mercado interno absorveu a produção enquanto o Brasil normalizava seu status sanitário, o que garantiu um novo recorde no volume de exportações. A produção de ovos de galinha também atingiu seu maior patamar da história, com 4,95 bilhões de dúzias produzidas, um crescimento de 5,7%.
Na pecuária leiteira, a aquisição do produto pela indústria foi a maior desde o início dos registros em 1997. Os laticínios sob inspeção sanitária captaram 27,51 bilhões de litros, uma elevação de 8,5%. Apesar do avanço expressivo puxado pelas regiões Sul e Nordeste, o aumento na oferta nacional somado ao volume de leite importado pressionou os preços pagos ao produtor. O valor médio do litro em 2025 ficou em R$ 2,56, uma queda de 1,9% em comparação ao ano anterior.