Ácaro-da-necrose é problema para produção de frutas
A praga vem afetando os pomares, prejudicando o desempenho e a qualidade dos frutos
A cultura do coqueiro para produção de água e mesmo de castanha para processamento de derivados tem crescido em todas as regiões do País, constituindo importante alternativa econômica. Contudo, uma praga vem afetando os pomares, prejudicando o desempenho e a qualidade dos frutos. Trata-se do ácaro-da-necrose (Aceria guerreronis Keifer) com maior incidência na região Nordeste, mas que pode atingir todas as áreas produtoras. Quando há ocorrência, as perdas podem chegar a 35%.
A presença do ácaro-da-necrose em plantas jovens pode ser constatada pelo aparecimento de leve clorose (perda da cor) nas folhas centrais, acompanhada pelo escurecimento do tecido foliar próximo à nervura central da folha. Nos frutos, o ácaro se desenvolve sob as brácteas de cocos novos, sugando a seiva da epiderme e criando necroses longitudinais.
Para avaliar melhor e problema e buscar alternativas de controle, uma equipe de pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza-CE) e da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju-SE) vem conduzindo experimentos e promovendo estudos de prospecção de pragas do coqueiro. Os trabalhos começaram há cinco anos e já há resultados no que tange ao controle com produtos biológicos.
Conforme os pesquisadores, os melhores resultados são obtidos com uso dos produtos Boveril PM ou Acanat, nas doses de 320 gramas e 150 ml, respectivamente, por 100 litros de água, respeitando um intervalo de 15 dias a partir da abertura das inflorescências. No caso do Boveril PM, o índice de eficiência alcançou 94,8% e a utilização do Acanat chegou a 90,9% de eficiência. Esses produtos não apresentam resíduos químicos nocivos à saúde humana.
Prejuízos
De acordo com o pesquisador Raimundo Braga Sobrinho, da Embrapa Agroindústria Tropical, a conseqüência do ataque do ácaro-da-necrose é a redução do peso e do tamanho, além da deformação dos frutos, o que os torna impróprios para a comercialização. A disseminação natural dessa praga pelo vento é muito rápida. Entretanto, o homem é o principal propagador em suas atividades agrícolas, conduzindo mudas ou sementes infestadas.
Segundo a equipe de pesquisadores, poucos trabalhos foram desenvolvidos no Brasil sobre esse problema. Assim, é considerada de fundamental importância a realização de pesquisas que visem à associação de práticas integradas de controle para o ácaro do coqueiro, de forma racional, eficiente e econômica, viabilizando a expansão da cultura em áreas irrigadas do Nordeste e em outros Estados brasileiros.
Embora as alternativas até agora sejam somente relacionados ao controle (a pesquisa busca desenvolver também cultivares tolerantes ou resistentes), os resultados podem proporcionar ganhos em termos de segurança alimentar pelo uso de produtos biológicos, bem como na preservação de inimigos naturais, redução de risco para o ambiente e do custo de produção. Segundo o estudo, a utilização dos produtos Boveril PM e Acanat, quando comparados com os defensivos convencionais, pode trazer substancial elevação na qualidade da água de coco.