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Açúcar brasileiro mantém demanda externa firme

Line-up registrou 43 navios nomeados para exportação de açúcar


Foto: Divulgação

As exportações de açúcar do Brasil atingiram 2,207 milhões de toneladas até a terceira semana de junho de 2026, com ritmo diário 6,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025, segundo dados preliminares da SECEX divulgados pela DATAGRO. Apesar da desaceleração no ritmo diário, o line-up de navios nomeados para exportação da commodity registrou volume 1,1% superior ao do mesmo período do ano passado, indicando que a demanda externa pelo açúcar brasileiro segue ativa. O cenário aponta para ajustes operacionais no curto prazo, sem ruptura no fluxo exportador.

De acordo com a DATAGRO, o line-up registrou 43 navios nomeados para exportação de açúcar, totalizando 1,803 milhão de toneladas aguardando embarque. O dado, superior em 1,1% ao observado no mesmo período de 2025, sinaliza que os compromissos de exportação foram mantidos e que a demanda internacional pelo produto brasileiro permanece consistente, mesmo diante da queda no ritmo diário de saídas registrada nas últimas semanas.

O tempo de espera no Porto de Santos recuou para 9 dias, segundo dados do DATAGRO Line-up. A redução no prazo de espera é um indicativo positivo para a operação portuária, sugerindo que o gargalo logístico que historicamente pressiona os custos de exportação no pico da safra apresentou algum alívio no período. Santos é o principal porto exportador de açúcar do Brasil e sua eficiência operacional é determinante para a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.

A queda de 6,4% no ritmo diário de exportações em relação a 2025 pode estar associada a fatores sazonais, ajustes no calendário de embarques ou variações na velocidade de processamento e despacho. O dado preliminar da SECEX ainda não captura o fechamento completo do mês, e o volume acumulado poderá ser revisado nas próximas semanas à medida que novos embarques sejam registrados e computados.

No cenário internacional, as Filipinas anunciaram a proibição da importação de açúcar, melaço e outros derivados da cana destinados à produção de etanol, segundo dados da DATAGRO. A medida reforça o apoio à produção doméstica e à política nacional de biocombustíveis do arquipélago. Paralelamente, a moagem de cana das Filipinas na safra 25/26 chegou a 22,88 milhões de toneladas até 7 de junho, com queda anual de 8,5%, enquanto a produção de açúcar bruto recuou 8,9% no mesmo período.

A retração filipina na produção e a restrição de importações para fins energéticos revelam um mercado doméstico pressionado, que opta por proteger o abastecimento interno em detrimento da abertura comercial. Para o Brasil, esse tipo de movimento em países produtores menores tende a ter impacto limitado no volume global de negócios, mas pode criar oportunidades pontuais em determinados destinos.

No setor de etanol, a produção dos Estados Unidos recuou para 1,090 milhão de barris por dia na última semana, enquanto o consumo de gasolina caiu 4,7% no período, de acordo com dados da EIA divulgados pela DATAGRO. A queda simultânea na produção e no consumo de combustíveis sugere um ambiente de demanda mais fraca no maior mercado de etanol do mundo, o que pode ter reflexos sobre os preços internacionais da commodity nos próximos meses.

O setor sucroenergético brasileiro acompanha de perto as variações no mercado externo, especialmente em um ano de safra que se projeta robusta. A combinação de ritmo exportador ligeiramente abaixo do ano anterior, line-up ainda positivo e Porto de Santos operando com menor fila sinaliza um mercado que busca equilíbrio entre oferta ampliada e manutenção da competitividade logística. Segundo a DATAGRO, os dados de junho indicam continuidade do fluxo exportador, com eventuais ajustes a serem confirmados no fechamento mensal.

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