Açúcar reage com déficit global maior e riscos na Europa, mas cenário ainda tem pressão baixista
Déficit global muda percepção dos preços
Foto: Pixabay
O mercado de açúcar ganhou força em agosto de 2026 e rompeu a marca de USDc 16 por libra-peso em Nova York, depois de um julho marcado por preços mais contidos. A revisão para um déficit mundial maior, problemas climáticos na Europa e rumores de demanda indiana deram sustentação às cotações, mas a baixa procura física continua impondo cautela, segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA.
Déficit global muda percepção dos preços
Durante julho, o contrato nº 11 de outubro se aproximou de USDc 15 por libra-peso e chegou a superar pontualmente esse nível. De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, a ampla disponibilidade de curto prazo, a recuperação das monções asiáticas e a demanda internacional enfraquecida impediram uma valorização mais consistente naquele momento.
O ambiente mudou em agosto. Segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA, a estimativa própria de déficit mundial para 2026/27 foi ampliada de 700 mil para 1,4 milhão de toneladas. O relatório também cita projeção da Czarnikow de déficit de 2,9 milhões de toneladas para a temporada 2027/28, adicionando sustentação ao mercado.
Um dos responsáveis pela revisão foi o clima europeu. A onda de calor e a escassez de chuvas reduziram o potencial da beterraba açucareira e passaram a pesar sobre as expectativas de produção. De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, esse fator foi determinante para ampliar a projeção de déficit no ciclo 2026/27.
Índia e Brasil também movimentam o açúcar
Na Índia, as expectativas de chuvas abaixo da média e medidas do governo para controlar a inflação reacenderam rumores de importação. A Consultoria Agro do Itaú BBA ressalta, entretanto, que a operação ainda não apresentava viabilidade econômica, já que a combinação de valorização do açúcar e desvalorização da rúpia deixava o produto importado mais caro que o açúcar disponível internamente.
No Brasil, números da UNICA e do Ministério da Agricultura reforçaram o movimento de alta em Nova York. Segundo informações reunidas pela Consultoria Agro do Itaú BBA, os dados indicaram redução da produção de açúcar no Centro-Sul, trazendo uma sinalização adicional de oferta mais restrita para o mercado.
O cenário, porém, não é exclusivamente altista. De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, a demanda física internacional permanece fraca, com sinais como retração das exportações brasileiras, descontos nos preços FOB de Santos e menor atividade no line-up. A China também projeta produção recorde, enquanto estoques confortáveis reduzem a necessidade de importação em alguns mercados.
Para o Centro-Sul brasileiro, a Consultoria Agro do Itaú BBA projeta moagem de 644,8 milhões de toneladas de cana em 2026/27, com mix açucareiro de 46,4% e produção de 39,4 milhões de toneladas de açúcar. Até o fim de julho, o mix observado estava em 44,2%, contra 52% no mesmo período de 2025. A qualidade da matéria-prima, projetada em 138,3 quilos de ATR por tonelada, apresenta viés de baixa, reforçando a recomendação de cautela mesmo após a recuperação das cotações.