Açúcar recua com pressão do dólar
Além disso, cresceram as preocupações com os possíveis efeitos do El Niño
Além disso, cresceram as preocupações com os possíveis efeitos do El Niño - Foto: Divulgação
O mercado de açúcar e etanol atravessou a semana sob influência combinada de fatores externos, ajustes de posição e expectativas para a próxima safra. Segundo análise da StoneX, o açúcar bruto negociado em Nova York encerrou o período com saldo negativo, cotado ao redor de USc 14,80/lb na sexta-feira, 15, após dias marcados por forte volatilidade.
Nos três primeiros pregões da semana, os preços encontraram sustentação em um movimento intenso de recompra de posições vendidas por fundos especulativos. A redução relevante da posição líquida vendida ajudou a dar suporte às cotações, em um ambiente também influenciado pela divulgação das estimativas da StoneX para 2026/27, que apontam déficit global de 0,55 milhão de toneladas.
Além disso, cresceram as preocupações com os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção asiática. No Brasil, a continuidade de um mix mais direcionado ao etanol no Centro-Sul também contribuiu para limitar pressões adicionais sobre o açúcar, ao indicar menor destinação proporcional de cana para a produção do adoçante.
Apesar desse conjunto de fatores, parte dos ganhos foi devolvida na quinta-feira. A valorização do dólar, medida pelo DXY, estimulou a liquidação de posições compradas em commodities e passou a pesar sobre os preços. Esse componente macroeconômico prevaleceu no mercado, neutralizando até mesmo o suporte que poderia vir da proibição de exportações pela Índia.
No etanol, os preços em Ribeirão Preto apresentaram estabilidade ao longo da semana, embora com leve viés de baixa. O anidro começou o período cotado a R$ 2,77 por litro, recuou para R$ 2,74 até a quarta-feira e teve discreta recuperação para R$ 2,75 na quinta. O hidratado seguiu movimento semelhante, partindo de R$ 2,78 por litro e convergindo para patamares próximos de R$ 2,75.
A pressão baixista está associada à expectativa de um mix etanoleiro elevado na safra 2026/27 no Centro-Sul, com ampliação da oferta do biocombustível. Ao mesmo tempo, o mercado segue em compasso de espera diante de mudanças regulatórias envolvendo a obrigatoriedade de estoques e o aumento da mistura de anidro na gasolina para E32.