Agro argentino deve gerar mais dólares em 2026
A melhora nas projeções está ligada principalmente à soja e ao milho
A melhora nas projeções está ligada principalmente à soja e ao milho - Foto: Pixabay
O setor agropecuário da Argentina deve voltar a ter papel central na geração de dólares para a economia do país em 2026. A combinação entre uma safra maior e preços internacionais mais firmes elevou as projeções de entrada de divisas, reforçando a importância do campo argentino em um momento de forte necessidade de recursos externos.
Segundo estimativas da Bolsa de Comércio de Rosario, a liquidação de divisas do agro argentino deve alcançar US$ 36,111 bilhões em 2026. O número supera em US$ 800 milhões a previsão feita em abril e praticamente iguala o resultado registrado em 2025, mantendo o complexo agroexportador como a principal fonte genuína de dólares da Argentina.
A melhora nas projeções está ligada principalmente à soja e ao milho. Após atualização do GEA-BCR, a estimativa para a safra argentina de soja 2025/26 passou para 50 milhões de toneladas, avanço de 2 milhões em relação ao cálculo anterior. No milho, a projeção subiu para 68 milhões de toneladas, 1 milhão acima do previsto em abril.
Com maior disponibilidade de grãos, a indústria argentina também tende a ganhar fôlego. A moagem de soja deve crescer 1 milhão de toneladas, enquanto as exportações de farelo e óleo de soja devem aumentar. No milho, as vendas externas teriam acréscimo de 500 mil toneladas.
O cenário internacional também contribui para o resultado. A recuperação das cotações de boa parte dos produtos agrícolas elevou o valor esperado das exportações da Argentina. O cálculo considera as divisas liquidadas no Mercado Livre de Câmbio e aquelas canalizadas via Contado com Liquidação.
Nos quatro primeiros meses de 2026, o setor agroexportador argentino aportou cerca de US$ 8,516 bilhões, abaixo dos mais de US$ 9 bilhões do mesmo período de 2025. A diferença é atribuída ao efeito residual da redução temporária de retenções, à antecipação de vendas e ao avanço mais lento da colheita em abril.