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Agro bate recorde de ocupação, mas crescimento deixa setor primário para trás

O número de trabalhadores nos agrosserviços aumentou 6,1% em 2025


Foto: Pexels - Gustavo Fring

O número de pessoas ocupadas no agronegócio brasileiro atingiu o recorde de 28,4 milhões em 2025. O contingente cresceu 2,2% em relação a 2024, com a incorporação de aproximadamente 602 mil trabalhadores ao longo do ano.

O avanço foi superior ao observado no conjunto do mercado de trabalho brasileiro, que registrou crescimento de 1,7% no mesmo período. Com isso, o agronegócio passou a representar 26,3% de toda a população ocupada no país, ante 26,1% no ano anterior.

Os números fazem parte do levantamento elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Apesar do resultado positivo, a geração de ocupação não ocorreu de maneira uniforme. A expansão ficou concentrada principalmente nos serviços relacionados ao agronegócio, enquanto o segmento primário, formado pelas atividades realizadas dentro da porteira, encerrou o período com redução.

O número de trabalhadores nos agrosserviços aumentou 6,1% em 2025, maior crescimento entre os segmentos analisados. A área de insumos avançou 3,4%, enquanto a agroindústria apresentou alta de 1,4%.

Na direção oposta, a ocupação no segmento primário recuou 1,1%. O resultado mostra que o crescimento econômico do agronegócio não se transforma necessariamente em mais trabalhadores diretamente nas lavouras e na pecuária.

Dos 28,4 milhões de ocupados, aproximadamente 10,6 milhões, ou 37,3%, estavam nos agrosserviços. O setor primário reunia 7,8 milhões de pessoas, correspondentes a 27,3% do total.

A agroindústria empregava cerca de 4,7 milhões, enquanto outros 4,9 milhões estavam classificados em atividades de produção para autoconsumo. A indústria de insumos concentrava aproximadamente 320 mil trabalhadores.

A composição indica uma cadeia cada vez mais dependente das etapas que conectam a produção ao consumidor, como comercialização, transporte, armazenamento, processamento e outros serviços especializados.

Outro dado positivo foi o crescimento do número de trabalhadores com vínculo formal. Essa categoria aumentou 4,6%, com a entrada de aproximadamente 440 mil pessoas.

O número de trabalhadores por conta própria cresceu 3,2%, representando acréscimo próximo de 214 mil pessoas. Entre os empregados sem registro formal, a alta foi de apenas 0,2%, ou cerca de 10 mil trabalhadores.

A diferença entre as categorias sugere melhora na composição da ocupação, uma vez que o emprego formal avançou em ritmo superior ao trabalho sem carteira. O dado, contudo, precisa ser acompanhado nos próximos levantamentos para verificar se a tendência será mantida.

Os rendimentos médios dos trabalhadores do agronegócio cresceram 3,9% em termos reais em 2025. O percentual ficou 0,5 ponto acima da alta de 3,4% registrada no mercado de trabalho brasileiro como um todo.

A massa de rendimentos do setor, que combina o número de ocupados com a remuneração recebida, avançou 7,2%. Entre os trabalhadores por conta própria, a expansão também foi de 7,2%, enquanto empregados e outras categorias registraram crescimento de 6,7%.

O resultado mostra que a renda acompanhou a expansão do emprego no agregado. A média, porém, não revela possíveis diferenças entre atividades, estados, níveis de qualificação e modalidades de contratação.

As maiores taxas de crescimento foram observadas entre os trabalhadores com mais anos de estudo. O contingente com ensino superior avançou 8,3%, enquanto o grupo com ensino médio cresceu 4,2%.

Entre as pessoas sem instrução formal, houve queda de 7,6%. O número de ocupados com ensino fundamental também recuou, com redução de 0,9%.

Os dados reforçam uma mudança estrutural no mercado de trabalho do agro. Mesmo em atividades ligadas ao campo, máquinas mais sofisticadas, sistemas de gestão, rastreabilidade, análise de dados e exigências comerciais aumentam a procura por trabalhadores qualificados.

A participação feminina também cresceu. A ocupação de mulheres avançou 2,6%, acima da alta de 1,9% observada entre os homens.

O recorde de 28,4 milhões de ocupados confirma a capacidade do agronegócio de gerar trabalho e renda. Entretanto, o desempenho dos segmentos mostra que a expansão está ocorrendo principalmente fora da produção primária.

O desafio passa a ser ampliar a qualificação e criar condições para que o aumento da produtividade resulte em melhores oportunidades também no interior das regiões produtoras.

A tendência é que o emprego agropecuário dependa menos do crescimento puramente quantitativo da mão de obra e mais da formação de profissionais capazes de operar tecnologias, interpretar informações e atender às demandas de uma cadeia produtiva cada vez mais integrada.

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