Agro enfrenta alta de pedidos judiciais
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o crescimento foi de 9,3%
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o crescimento foi de 9,3% - Foto: Canva
A pressão financeira no campo segue elevada e mantém produtores e empresas do agronegócio diante de um cenário de custos altos, crédito mais restrito e margens apertadas. Segundo Leandro Aparecido Viotto, executivo do agronegócio, o número de empresas do setor agropecuário em recuperação judicial chegou a 539 no fim do primeiro trimestre, avanço de 58% em relação ao mesmo período do ano passado.
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o crescimento foi de 9,3%, indicando que a crise segue ganhando força dentro da porteira. O quadro combina fatores já conhecidos pelo setor, como juros elevados, dificuldade de acesso a crédito, aumento do custo de produção e menor capacidade de geração de caixa em algumas cadeias.
Além desses pontos, a guerra no Oriente Médio passou a ampliar a preocupação sobre os custos, especialmente por seus reflexos nos preços de fertilizantes e diesel. Esses insumos têm peso relevante na atividade agropecuária e já aparecem como parte das justificativas em novos pedidos de recuperação judicial.
Outro fator citado é a demora de algumas empresas em enfrentar problemas financeiros de forma estruturada. A expectativa de que uma nova safra possa equilibrar as contas acaba, em muitos casos, adiando renegociações e ampliando o endividamento. Quando a recuperação esperada não ocorre, a inadimplência cresce e a pressão dos credores aumenta.
Entre os segmentos mais afetados, a soja aparece na liderança, com 243 empresas em recuperação judicial. Em seguida estão a pecuária de corte, com 89, e a cana, com 49. Os números mostram que a dificuldade não está concentrada em uma única atividade, mas distribuída por cadeias importantes do agro brasileiro.
O cenário ainda não aponta alívio no curto prazo. Enquanto os juros permanecerem altos e o crédito continuar mais seletivo, a tendência é de que novos pedidos de recuperação judicial sigam surgindo no setor. A situação reforça a necessidade de maior controle financeiro, planejamento e renegociação antecipada para evitar que a crise avance sobre empresas ainda viáveis.