Agro enfrenta alta exposição às recuperações judiciais
No recorte proporcional, o cultivo de soja chama ainda mais atenção
No recorte proporcional, o cultivo de soja chama ainda mais atenção - Foto: Divulgação
O avanço das recuperações judiciais no Brasil acende um sinal de alerta sobre a saúde financeira das empresas, com pressão relevante também sobre atividades ligadas ao agronegócio. Segundo Renato Seraphim, especialista em inovação e tecnologia no agronegócio, o país chegou ao primeiro trimestre de 2026 com 5.931 empresas em processo de recuperação judicial, enquanto a taxa média nacional ficou em 2,18 casos por mil empresas.
A incorporação imobiliária liderou em número absoluto, com 594 empresas em recuperação judicial e índice de 6,08 por mil. Na sequência aparecem holdings não financeiras, com 335 casos e taxa de 2,14, cultivo de soja, com 243 empresas e índice de 29,80, transporte rodoviário de carga, com 233 casos e taxa de 5,36, e construção de edifícios, com 203 empresas e índice de 2,79.
No recorte proporcional, o cultivo de soja chama ainda mais atenção. A atividade registra 29,80 recuperações judiciais para cada mil empresas ativas, uma das maiores taxas do país. Construção de rodovias e ferrovias aparece com 16,61 por mil, enquanto a criação de bovinos para corte alcança 10,62.
A pressão também se distribui de forma desigual entre os estados. Pernambuco apresenta índice de 4,24 por mil empresas, seguido por Alagoas, com 4,14, Mato Grosso, com 4,07, e Goiás, com 4,01. Nordeste e Centro-Oeste, portanto, concentram alguns dos maiores níveis de intensidade de recuperações judiciais.
Na avaliação apresentada, juros estruturalmente elevados, custos logísticos pressionados e margens mais apertadas no agronegócio e na construção civil ajudam a explicar o quadro. Os dados mostram que setores intensivos em capital e mais expostos aos ciclos de commodities e crédito enfrentam um ambiente financeiro especialmente desafiador.