Agro português produz mais com menos mão-de-obra
A presença de trabalhadores estrangeiros tornou-se determinante
A presença de trabalhadores estrangeiros tornou-se determinante - Foto: Pixabay
A agricultura portuguesa tem passado por uma transformação estrutural marcada pelo aumento da eficiência produtiva e pela redução do volume de trabalho. Ao longo das últimas décadas, o setor conseguiu gerar mais valor com menos mão-de-obra, refletindo mudanças tecnológicas, organizacionais e sociais que alteraram profundamente o perfil do emprego agrícola.
Estudo da CONSULAI, consultora especializada em agribusiness liderada por Pedro Santos, mostra que o volume de trabalho caiu de mais de 430 mil para cerca de 220 mil trabalhadores a tempo completo em três décadas, enquanto a produtividade mais do que duplicou. Apesar disso, o emprego não desapareceu, mantendo-se relativamente estável entre 165 mil e 180 mil pessoas, com crescimento do trabalho assalariado, que já representa cerca de 40% do total.
A presença de trabalhadores estrangeiros tornou-se determinante, representando mais de 40% da força de trabalho agrícola, com forte expansão desde 2014. Em culturas intensivas e sazonais, essa mão-de-obra assegura picos de atividade e a continuidade da produção. O estudo indica ainda que esses trabalhadores apresentam, em média, níveis de qualificação superiores aos portugueses no setor.
Os salários agrícolas aumentaram cerca de 50% na última década, aproximando-se dos mil euros mensais, embora ainda abaixo da média nacional. Ao mesmo tempo, o envelhecimento da mão-de-obra e a redução do trabalho familiar evidenciam dificuldades na renovação geracional.
A análise aponta que o setor caminha para um modelo mais tecnológico e especializado, exigindo novas competências e reforçando o desafio de atrair e qualificar trabalhadores para sustentar a competitividade futura.