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Água e nutrição exigem precisão no trigo em solo arenoso

Baixa retenção de água e nutrientes exige maior atenção durante o florescimento


Foto: Seane Lennon

Por Aline Merladete com colaboração e revisão de Ubirajara Fontoura, engenheiro agrônomo

As atividades agrícolas historicamente se concentraram em áreas de maior fertilidade e com maior teor de argila. Nas últimas décadas, com a expansão das áreas e das espécies cultivadas, aumentou o uso de solos arenosos e de menor fertilidade, como ocorre em diferentes regiões do Centro-Oeste. Esse avanço exigiu a adoção de novas estratégias de manejo.

Na cultura do trigo, o estádio reprodutivo é uma das fases mais sensíveis em solos arenosos. Entre o emborrachamento e a maturação fisiológica, a planta define componentes importantes da produtividade, como o número de grãos por espiga e o peso de mil grãos. O desafio é maior porque solos arenosos apresentam menor capacidade de armazenamento de água e nutrientes. Em períodos de chuvas irregulares, a cultura pode passar rapidamente de uma condição de boa disponibilidade hídrica para déficit de água.

Espigamento, florescimento e início do enchimento de grãos estão entre os períodos mais críticos. A falta de água e nutrientes nessas fases pode reduzir a formação de grãos e limitar seu desenvolvimento, mesmo quando as condições melhoram posteriormente. A interrupção do enchimento provocada por fatores adversos também pode reduzir a qualidade industrial, o peso do hectolitro (PH) e a qualidade das sementes.

Em áreas irrigadas, é importante acompanhar a umidade do solo e evitar aplicações excessivas de água. Como a infiltração ocorre rapidamente em solos arenosos, lâminas menores e mais frequentes podem contribuir para reduzir perdas e atender melhor os períodos de maior demanda da cultura.

Nas áreas de sequeiro, a estratégia começa antes do período crítico. A manutenção da palhada sobre o solo, o controle de plantas daninhas, a redução da compactação e o ajuste da população de plantas ajudam a conservar a umidade disponível.

A nutrição também precisa ser planejada para reduzir perdas. Nitrogênio e Potássio apresentam maior risco de lixiviação em solos arenosos. O parcelamento das aplicações pode ajudar a manter esses nutrientes disponíveis durante os períodos de maior demanda da cultura. A definição do manejo deve considerar a análise de solo, o histórico da área, as exigências da cultivar e a expectativa de produtividade.

Enxofre e micronutrientes, como zinco, cobre, manganês e boro, também fazem parte do manejo nutricional. A necessidade de complementação deve ser avaliada com base em análises de solo realizadas antes da semeadura, evitando aplicações sem diagnóstico. Tanto a deficiência quanto o excesso de nutrientes podem prejudicar o desenvolvimento da cultura.

Outro ponto importante é a manutenção da palhada. A cobertura do solo reduz a evaporação, ameniza oscilações de temperatura e contribui para o aumento da matéria orgânica e da capacidade de retenção de nutrientes e umidade ao longo do tempo.

O manejo também deve considerar doenças foliares, plantas daninhas, escolha de cultivares e correção da acidez do solo. A integração dessas práticas ajuda a manter folhas ativas e condições adequadas para o enchimento dos grãos até a maturação.

Em solos arenosos, reduzir períodos de estresse hídrico e manter uma oferta equilibrada de nutrientes são pontos centrais para diminuir oscilações de produtividade. As decisões devem considerar as características de cada área, com apoio de análise de solo e acompanhamento técnico.
 

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