Alckmin anuncia crédito de R$ 4 bilhões para fertilizantes no Congresso da ANDA
Recursos contemplam empresas afetadas pelo tarifaço
Foto: Divulgação
O setor de fertilizantes terá R$ 4 bilhões do total de R$ 18,5 bilhões previstos no Plano Brasil Soberano 3, que será apreciado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) nesta quarta-feira (26/08). O anúncio foi feito na manhã de hoje (25/08) pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, na sessão de abertura do 13º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), no WTC Sheraton, em São Paulo.
Os recursos, destinados a financiamentos e capital de giro, contemplam empresas afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos e pelos impactos das guerras e crises geopolíticas internacionais, por meio de linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A terceira etapa do Plano Brasil Soberano prevê R$ 18,5 bilhões em financiamentos para setores estratégicos da economia brasileira.
Alckmin informou, ainda, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá sancionar nos próximos dias o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) e o Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, ambos aprovados pelo Congresso Nacional. O primeiro prevê mecanismos de crédito fiscal para a produção. O segundo cria mecanismos de redução ou suspensão de tributos federais sobre combustíveis em períodos de alta internacional do petróleo.
Na abertura do congresso, Elias Alves Lima, presidente do Conselho de Administração da ANDA, destacou que o evento é o principal encontro do setor no País e representa um espaço de diálogo, conhecimento, inovação e construção de estratégias para o futuro. Ressaltou que, apesar de o Brasil importar quase 90% dos fertilizantes que consome, o setor conseguiu manter o abastecimento do mercado nacional, mesmo diante de guerras, crises geopolíticas e dificuldades logísticas.
“De janeiro a maio deste ano, foram entregues 15,46 milhões de toneladas, volume suficiente para atender às necessidades do período. Esse resultado ajudou a preservar aquilo que o Brasil tem de mais estratégico: a força do seu agronegócio, que continua alimentando nosso país e contribuindo decisivamente para a segurança alimentar mundial”, afirmou.
Produção nacional
O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, defendeu uma atuação integrada entre governo, setor produtivo, instituições de pesquisa e demais elos do agronegócio. Para ele, o Brasil reúne condições para ampliar sua produção e precisa transformar essa capacidade em uma estratégia de Estado de longo prazo.
“Temos em São Paulo todos os elos da cadeia produtiva do agro. A vocação do Brasil é rural. Nosso agro tem pessoas preparadas, tecnologia, pesquisa e extensão para produzir cada vez mais. É importante que todos trabalhem juntos em um projeto de Estado com visão de futuro”, afirmou. Melo Filho também defendeu o cumprimento eficiente do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) e destacou a aprovação do Profert e do PLP 114 como avanços para ampliar a produção brasileira de adubos.
Na mesma linha, o secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária, Cleber Soares, relacionou diretamente a expansão da produção agrícola à necessidade de aumentar a oferta de fertilizantes. “Na última safra, produzimos mais de 1,2 bilhão de toneladas de produtos agrícolas. Para isso, precisamos do adubo”, afirmou. Lembrou que está em curso o programa de recuperação de terras degradadas, em uma escala de 1,5 milhão de hectares por ano. Segundo ele, à medida que esse plano avançar, será necessário ampliar a oferta de fertilizantes.
Cleber Soares também destacou o avanço brasileiro na produção de bioinsumos. Segundo ele, nos últimos quatro anos foram produzidos no País quase 1.300, muitos deles constituídos por fertilizantes. “O Brasil é protagonista nos três grandes desafios do mundo: segurança alimentar, segurança energética e segurança climática”, afirmou.
Roberto Rodrigues, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas, o atual cenário internacional exige uma estratégia coordenada entre produtores rurais, instituições financeiras e governo. Diante das crises geopolíticas e dos conflitos em diferentes regiões do mundo, o ex-ministro da Agricultura defendeu a união dos diferentes agentes da cadeia produtiva.
“O mundo hoje é complicado, com crise geopolítica e guerras. Para vencer as dificuldades precisamos de uma estratégia integrada dos produtores rurais, bancos e governo. Temos tudo para ser os produtores globais responsáveis pelo fim da fome no mundo e de liderar a transição para a energia renovável. Assim, temos de nos unir em busca das melhores estratégias”, afirmou.
Em mensagem de vídeo, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que os fertilizantes constituem um insumo estratégico para o País e defendeu medidas destinadas a reduzir a vulnerabilidade brasileira diante da dependência externa. Nesse contexto, destacou a retomada de plantas industriais que estavam paralisadas, movimento que contribui para ampliar a produção doméstica. Também em pronunciamentos remotos, os deputados federais Arnaldo Jardim e Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, saudaram os participantes do congresso.
Homenagem
Na abertura do evento, a ANDA homenageou Alceu Elias Feldman, fundador e presidente da Fertipar, eleito pelos conselheiros da entidade como “Protagonista da Indústria de Fertilizantes no Brasil”. Ele recebeu de Elias Alves Lima e Roberto Rodrigues uma placa e o quadro Cafezal em flor, do artista mineiro Francisco Severino.
Feldman afirmou que era especialmente gratificante receber o reconhecimento de seus pares e amigos. Agradeceu à ANDA, à família, aos sócios e a toda a equipe da Fertipar. “Compartilho esse reconhecimento com todos os que contribuem para o avanço do setor de fertilizantes no Brasil. Adubando o solo, haverá alimentos”, enfatizou.