Algodão - o ouro branco do cerrado piauiense
Região que já se apresenta como de grande importância para o agronegócio brasileiro
Tecnologia de ponta, alta produtividade; é a cultura do algodão no cerrado do Piauí, região que já se apresenta como de grande importância para o agronegócio brasileiro.
O algodão, embora se trate de uma planta oleaginosa, e por isso exigente no tocante ao solo, é uma cultura de larga adaptação, no que se refere às condições edáficas. Pode ser cultivado em diversos tipos de solo de características físicas adversas e menos férteis, desde que sejam feitas as devidas correções, de forma que passe a apresentar características suficientes para atender as necessidades básicas ao seu pleno desenvolvimento.
Portanto, as lavouras brancas podem conquistar espaço ainda maior no nosso cerrado, já que encontram condições de solo e de clima amplamente favoráveis.
Como alternativa para rotação com a soja, o mineiro Fábio Pereira Júnior vislumbrou no algodão uma expressiva oportunidade de negócios economicamete rentáveis. O pioneirismo e o sucesso da cultura do algodoeiro na Fazenda Nova, situada no município de Santa Filomena, tem sido impulsionado exatamente pelas condições de clima favorável, terras planas, que permitem mecanização total da lavoura e, sobretudo, pelo uso intensivo de tecnologias modernas.
Outro fato determinante para a evolução da cultura do algodão no sudoeste piauiense foram os sucessivos aumentos na produtividade por área. Enquanto no estado do Paraná, a produtividade média é de 2.388 kg/ha e no Sudeste, de 2.448 kg/ha de algodão em caroço, a Fazenda Nova alcança números ao redor de 4.800 kg/ha, equivalente a aproximadamente 1.920 quilos de pluma por hectare. Isso representa o dobro em relação ao sul maravilha.
Essa eficiência produtiva impressiona também um dos representantes da ADAPI (Agência de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Piauí) no município, agrônomo Roberto Alves dos Reis Filho, que afirma: “o algodão se constitui em uma das mais promissoras culturas para o agronegócio no cerrado piauiense, em especial para o município de Santa Filomena”.
Avião agrícola: 17 aplicações de agrotóxicos por ciclo Algodoeira: técnicos fazem manutenção da maquinaria
O algodão é uma das culturas sujeitas a grande número de pragas, que causam danos significativos, exigindo utilização de tecnologia avançada para manejo apropriado. São cerca de 30 doenças, 35 insetos e ácaros e mais de 50 tipos de plantas daninhas.
O manejo químico das pragas custa atualmente, em média, acima de R$ 2.000,00 por hectare, envolvendo aplicação (trator, aérea e jato dirigido) e produtos fitossanitários (acaricidas, fungicidas, herbicidas, inseticidas e outros).
É praticamente impossível produzir algodão sem utilização intensa do controle químico. Tais cuidados podem representar 46,64% do gasto total de produção. No caso da Fazenda Nova, deverão ser efetuadas 17 aplicações aéreas, desde a abertura dos primeiros botões florais até a completa maturação. A cada sete dias são realizadas pulverizações preventivas, visando controlar a ferrugem e eventuais doenças de final de ciclo.
Apesar do alto custo de produção, o empresário rural Fábio Pereira poderá bater recorde nacional de produtividade de algodão não irrigado, o que lhe garantirá lucro certo. Mesmo porque a cotação do produto em caroço e em pluma está bastante atrativa. Além disso, a produção primária deverá ser de ótima qualidade, aceitável por toda a indústria, em nível nacional e internacional.
Paralelamente à colheita, que deverá ocorrer no mês de junho, acontece o processo de beneficiamento e embalagem, fase que antecede a sua industrialização. De acordo com Adilson Rogério Biesek, responsável pela assistência técnica, toda a produção dos dois mil hectares cultivados na Fazenda Nova será beneficiada na Algodoeira Santa Filomena, instalada ao lado da área de plantio.
“A maioria da nossa produção de pluma será exportada para a Inglaterra e outros países europeus. O caroço é industrializado aqui mesmo. Vai para a usina ao lado, onde é triturado e transformado em óleo (biodiesel) e torta”, acrescenta Biesek.
O beneficiamento é a etapa prévia para a industrialização do algodão e consiste na separação da fibra das sementes por processos mecânicos, com mínima depreciação das qualidades intrínsecas da fibra e a obtenção de um bom tipo de algodão, de maneira a atender às exigências da indústria têxtil e de fiação.