Algodão orgânico recua nos Estados Unidos

Agronegócio

Algodão orgânico recua nos Estados Unidos

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A produção de algodão orgânico dos Estados Unidos recuou em 2003 para menos da metade que a registrada para 2001, anunciou ontem a Associação de Comércio Orgânico (OTA, em inglês). Segundo uma pesquisa da OTA financiada por uma doação da Cotton Incorporated e as informações adicionais fornecidas pela Cooperativa de Comercialização do Algodão Orgânico do Texas, os produtores norte-americanos colheram pelo menos 4.628 fardos de algodão orgânico em 2003. Foram excluídos da estimativa de 2003, no entanto, os dados de 32 hectares cujo número de fardos colhidas não foi registrado. A pesquisa de 2002 da OTA da produção orgânica mostrou que 9.897 fardos foram colhidos em 2001. Apesar da queda na produção, as vendas globais norte-americanas de produtos acabados de fibra orgânica, feitos predominantemente de algodão orgânico, cresceram 23% em 2003, alcançando US$ 85 milhões, segundo a Pesquisa de Fabricantes de 2004 da OTA lançada neste ano. Enquanto isso, a área de plantio para o algodão orgânico em 2003 nos EUA foi menos da metade da plantada no ano anterior, segundo conclusões da pesquisa.

Nos resultados preliminares divulgados ontem, a pesquisa entrevistou 12 produtores que cultivaram e colheram algodão orgânico nos EUA em 2003. Dos 12, nove são membros da Cooperativa de Comercialização de Algodão Orgânico do Texas e três são independentes. O algodão upland foi a variedade dominante, que contou também com o algodão pima. A quantidade da área de plantio reservada para o algodão orgânico caiu 55% em 2003, de 3.659 hectares em 2002 para 1.643 hectares em 2003. Os resultados mostraram áreas de 1.493 hectares para o algodão upland e de 149 hectares para o algodão pima. O algodão orgânico foi também cultivado no Missouri e no Novo México.

A pesquisa baseou-se em um questionário enviado para 41 produtores em sete estados. Os questionários preenchidos foram entregues por 22 produtores. Outros seis responderam a pesquisa pelo telefone. Desses, só 12 cultivaram e colheram algodão orgânico em 2003. Contudo, os dados sobre a área de plantio e o número de produtores pode ser menor do que as estimativas porque só nove dos 18 membros da cooperativa responderam a pesquisa. Como a cooperativa forneceu informações sobre a quantidade de sacas para todos seus membros, as estimativas de produção são consideradas como um quadro mais completo do que os dados de área de plantio. A pesquisa também mostrou que a área de plantio em 2004 totalizou 1694 hectares de algodão orgânico upland e 197 hectares de algodão orgânico pima, perfazendo um total de 1891 hectares.

Um dos propósitos da mais recente pesquisa de produção de algodão foi examinar a influência do Programa Orgânico Nacional (NOP, em inglês) sobre os produtores de algodão orgânico. As objeções relatadas pelos produtores referem-se aos insumos agrícolas específicos que seguem as normas, como encontrar consistência na interpretação da norma pelos certificadores, enfrentar o aumento da papelada e manter-se informado sobre as alterações nas normas da NOP.

Um motivo citado na pesquisa para a diminuição da área de plantio do algodão orgânico nos EUA não foram os padrões orgânicos nacionais, contudo, mas a competição de produtores externos.

Como observou um produtor, algumas confecções, para incrementar suas margens de lucro, optaram por comprar o algodão produzido internacionalmente a um preço mais baixo do que pagariam aos produtores norte-americanos.

A inconsistência e os preços baixos, além de um mercado fraco, desestimularam os produtores norte-americanos de cultivarem algodão orgânico. Desde que os padrões orgânico nacionais foram implementados, nenhum dos produtores ampliou a área de plantio destinada à produção orgânica, embora vários planejem fazer isso nos próximos cinco anos, e cinco pretendam manter a área de plantio no mesmo nível.

Os produtores relataram "a venda do excesso do produto a preços razoáveis" como o maior desafio para levar o algodão orgânico ao mercado, seguido por encontrar um mercado que pague pelos custos de valor agregado dos produtos orgânicos. Os benefícios das normas da NOP incluem padronizar os regulamentos de orgânicos e elevar a percepção e a demanda do consumidor para os produtos orgânicos.


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