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Aliança entre Brasil e Índia pode redesenhar o agro

Os números ajudam a mostrar o peso dessa possível parceria


Os números ajudam a mostrar o peso dessa possível parceria Os números ajudam a mostrar o peso dessa possível parceria - Foto: Pixabay

A aproximação entre Brasil e Índia começa a desenhar uma nova frente de cooperação no agro. De um lado, está uma das maiores potências exportadoras de alimentos do mundo. Do outro, um país que produz em larga escala para abastecer uma população de 1,4 bilhão de pessoas e também ocupa posição de destaque no comércio global de arroz. A combinação desses dois modelos pode abrir espaço para uma parceria mais ampla, voltada à tecnologia, à bioeconomia e à segurança alimentar.

Segundo white paper editorial da AgroSpectrum Asia, a relação entre os dois países pode ir além da compra e venda de commodities e avançar para um corredor estratégico de inovação entre economias tropicais. A análise aponta oportunidades em pesquisa agrícola, biocombustíveis, bioinsumos e soluções capazes de reduzir vulnerabilidades provocadas por tarifas, restrições comerciais e problemas logísticos.

Os números ajudam a mostrar o peso dessa possível parceria. O Brasil exportou US$ 164,4 bilhões em produtos do agronegócio em 2024 e mantém liderança mundial em cadeias como soja, açúcar, café, milho e carnes. A Índia, por sua vez, colheu 357,7 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/25, lidera a produção mundial de leite e responde por cerca de 40% do comércio internacional de arroz.

É justamente a diferença entre os dois modelos que abre espaço para cooperação. O Brasil reúne escala produtiva, experiência em agricultura tropical, etanol e bioinsumos. A Índia oferece um mercado consumidor gigantesco, capacidade industrial, produção de fertilizantes e agroquímicos e avanço no uso de plataformas digitais no campo.

A bioeconomia aparece entre as áreas com maior potencial. O documento cita oportunidades em etanol, combustíveis sustentáveis, biofertilizantes, controle biológico, soluções microbianas e recuperação da saúde do solo. Também destaca a cadeia do caju. Entre 80% e 85% da polpa gerada junto à castanha na Índia ainda é desperdiçada, e a proposta é usar tecnologia para transformar esse resíduo em produtos de maior valor agregado.

Há, porém, obstáculos importantes. Distância, custos de transporte, exigências sanitárias, diferenças regulatórias e a própria concorrência entre os dois países em mercados como açúcar e oleaginosas podem limitar avanços mais rápidos. Por isso, a avaliação é de que os primeiros resultados devem vir de projetos concretos, pesquisa conjunta, aproximação regulatória e iniciativas de maior valor agregado.

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