Alta de fertilizantes pressiona safra de grãos
Há expectativa de alívio com a assinatura formal de um acordo provisório
Há expectativa de alívio com a assinatura formal de um acordo provisório - Foto: Canva
A alta dos fertilizantes passou a pesar de forma mais intensa sobre a produção global de grãos, levando produtores a rever compras, reduzir aplicações de nutrientes, mudar culturas ou considerar menor uso da terra. O movimento amplia riscos para trigo, milho e cevada na safra de 2026.
A pressão ganhou força com a guerra entre Estados Unidos e Irã, que afetou o fluxo comercial pelo Estreito de Ormuz, rota importante para ureia, amônia e enxofre. Segundo a Comissão Europeia, os preços da ureia subiram 55% desde o início do conflito, no fim de fevereiro. Na Argentina, a referência chegou a cerca de US$ 1.000 por tonelada, o dobro do nível anterior à crise.
Há expectativa de alívio com a assinatura formal de um acordo provisório em 19 de junho, que suspenderia as hostilidades e reabriria o Estreito. Ainda assim, analistas avaliam que o setor já vinha sob pressão. Doriana Milenkova, do Rabobank, aponta choques como gargalos logísticos na pandemia, alta da energia e a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Na Europa, produtores alertam para a possibilidade de áreas ficarem ociosas, sobretudo em regiões de menor rentabilidade. Na Letônia, a Zemnieku Saeima avalia que os custos de produção podem superar receitas potenciais mesmo com cenários otimistas. Na Rússia, a associação Agricultor do Povo pediu tarifas de exportação para proteger o mercado interno, diante de preços recordes e falta de itens.
Apesar da preocupação, os analistas ainda veem impacto limitado sobre a produção de grãos em 2026, porque parte dos volumes da próxima safra já foi contratada antes do conflito. A tendência é de ajustes nas doses, troca de fertilizantes, rotação de culturas e preferência por opções menos dependentes de insumos, antes de uma redução ampla da área plantada.