Alta do açúcar devolve margem e estimula vendas
Apesar da reação, ainda há incertezas em relação à demanda global
Apesar da reação, ainda há incertezas em relação à demanda global - Foto: Divulgação
O mercado de açúcar passou por uma mudança de direção nas últimas duas semanas, com os contratos futuros acumulando alta próxima de 15% e refletindo preocupações crescentes com a oferta. A avaliação é de Fabio Meneghin, engenheiro agrônomo e fundador da Veeries, que aponta uma combinação de fatores climáticos e produtivos como gatilho para a reação dos preços.
Entre os elementos que passaram a pesar sobre as cotações estão as monções abaixo do normal na Índia e na Tailândia, situação que coloca em risco a safra de cana nos dois países. Na Europa, semanas de calor muito acima do normal também começaram a afetar a beterraba. A cultura mostrou resistência no início, mas os problemas já se tornaram mais evidentes.
No Centro-Sul do Brasil, a primeira metade da safra apresentou um mix mais voltado ao etanol, enquanto o câmbio ficou um pouco mais desvalorizado. Esse conjunto reforçou a percepção de menor disponibilidade de açúcar no mercado internacional.
Apesar da reação, ainda há incertezas em relação à demanda global. A mudança mais clara, segundo a leitura apresentada, está na forma como o mercado passou a incorporar os fundamentos de oferta, agora ajustados por uma perspectiva de produção menor.
A leitura da Veeries, com dados do ICE, compara os preços do açúcar VHP ao custo de produção e indica que, pela primeira vez na safra atual, há margem efetiva para as usinas. Essa diferença já voltou a estimular as vendas. Como as exportações estão atrasadas, a expectativa é de que os embarques ganhem fôlego nos próximos meses. No gráfico, a curva de 2026, que passou boa parte do período próxima ao custo, avança para acima dessa referência no ponto mais recente.