Alta do algodão anima produtores, mas indústria segura compras
Impasse entre compradores e vendedores trava negócios
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Segundo informações divulgadas pelo Cepea, produtores e detentores de estoques têm se mostrado resistentes em ceder nos preços do algodão, apoiados pelas valorizações observadas no mercado internacional da pluma. Esse alinhamento com o cenário externo reforça a estratégia de retenção por parte dos cotonicultores, que buscam melhores oportunidades de comercialização.
Outro fator que influencia o mercado é o desenvolvimento positivo das lavouras da temporada 2025/26. As condições favoráveis até o momento aumentam as expectativas de boa produtividade, o que mantém agentes atentos ao equilíbrio entre oferta futura e preços atuais.
Apesar desse cenário promissor no campo, o ritmo de novos negócios ainda não acompanha o avanço das cotações.
Do lado comprador, a indústria têxtil segue cautelosa. Conforme o Cepea, os agentes industriais monitoram o desempenho das vendas e a capacidade de repasse dos custos ao longo da cadeia, especialmente para os produtos manufaturados. Essa postura mais conservadora limita o fechamento de novos contratos e contribui para o ambiente de negociações mais lentas.
Já os comerciantes têm adotado estratégias como negociações “casadas” — que envolvem compra e venda simultânea — além da aquisição de lotes específicos para atender demandas pontuais. Ainda assim, a dificuldade de alinhamento entre preços pedidos por vendedores e valores ofertados por compradores segue como principal entrave para maior fluidez no mercado.
O mercado de algodão no Brasil vive um momento de sustentação de preços, impulsionado pelo cenário externo e pela postura dos vendedores. Por outro lado, a cautela dos compradores e a dificuldade de repasse ao longo da cadeia limitam a liquidez.