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Amarelão nos laranjais

Nos últimos seis meses, o número de propriedades com árvores infectadas cresceu 80%


O amarelão, uma doença grave dos laranjais, está aumentando em São Paulo. Nos últimos seis meses, o número de propriedades com árvores infectadas cresceu 80%.

São 42 anos dedicados à cultura. O agricultor Israel Quartieiro, de Tabatinga, região central do Estado, já enfrentou muitas doenças nos pomares, mas nenhuma tão agressiva quanto o amarelão, que em inglês é chamado greening. “É uma doença complicada. Não dá para conviver nem brincar com ela”, disse.

No Brasil, o amarelão foi identificado em 2004. Desde então, se tornou uma das doenças mais graves para os produtores de laranja. Ele é causado por uma bactéria transmitida por um inseto conhecido como psilídeo. Folhas com coloração desigual, frutos pequenos e deformados e sementes abortadas são os principais sintomas.

“O greening é a pior doença da citricultura no mundo. Para combater essa doença o citricultor tem que ter informação e treinamento sobre essa doença”, explicou Valter Ferreira, técnico agrícola da Fundecitrus.

Quando a doença é detectada, o pé de laranja precisa ser erradicado o mais rápido possível. A pesquisa também orienta o agricultor a comprar mudas certificadas e a controlar o psilídeo com inseticida.

O trabalho dos citricultores não pára por aí. As ações de combate devem ser anotadas em um relatório, que será enviado para a coordenadoria de defesa agropecuária.

O relatório tem que ser preenchido pelo próprio agricultor duas vezes por ano com base nas inspeções que ele fizer na propriedade. As informações são importantes para focar as ações de combate à doença. É preciso anotar, por exemplo, o número de plantas derrubadas.

“É extremamente importante a participação do produtor porque, identificando precocemente as plantas contaminadas em sua propriedade, ele vai evitar que a doença passe para outras plantas”, esclareceu Ivaldo Sala, agrônomo da Fundecitrus.

O amarelão está presente em 183 municípios paulistas. Segundo dados da Secretaria de Agricultura do Estado, os relatórios do primeiro semestre confirmaram a presença da doença em 5.806 propriedades. Isso representa um aumento de 80% em relação ao semestre anterior.

O agricultor Wanderlei Marçon tem um laranjal no município de Ubarana, região noroeste do Estado. Ele está preocupado com o crescimento da doença. “O nível de preocupação aqui é altíssimo uma vez que até o ano passado existiam uma ou duas plantas contaminadas e esse ano, nessa altura do campeonato, já existem mais de cem plantas contaminadas já com o greening dentro dessa propriedade”, falou.

Para reforçar a fiscalização, além da entrega do relatório, equipes da defesa e do Fundecitrus inspecionam propriedades escolhidas por sorteio ou quando há suspeita. Algumas folhas são levadas ao Centro de Citricultura Sylvio Moreira, que fica no município de Cordeirópolis. No lugar, são feitos os laudos que determinam se as plantas estão doentes ou não. Desde 2005, foram feitas 600 mil análises.

O governo de São Paulo tem uma linha de crédito para ajudar o citricultor a recompor o pomar de laranja. Os juros são de 3% ao ano.

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