Amazônia possui 10 mil plantas com potencial econômico
São espécies com princípios ativos para uso medicinal, cosmético e controle de pragas
“Esse segmento tem tudo para crescer e se tornar uma atividade lucrativa em vários estados da Amazônia desde que se profissionalize”, prevê o pesquisador Juan Revilla Cordenas, doutor em Ciências Biológicas. Cordenas atua na área de botânica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), órgão que é referência em estudo de produtos não-madeireiros.
O pesquisador avalia que o aproveitamento dos atuais produtos florestais não-madeireiros pode significar a geração de emprego e renda para o ribeirinho, o caboclo, e melhorar a qualidade de vida das pessoas que lidam diretamente com a coleta, armazenamento e venda das plantas medicinais, por exemplo.
Plantas de grande potencial
Em Manaus, o Inpa emprega grande dos seus recursos à pesquisa e à descoberta do potencial das plantas da Amazônia. E o resultado é surpreendente. São cerca de 300 espécies nativas da Amazônia ou nela introduzidas já catalogadas pelo instituto e com potencial para as áreas medicinal, fitoterápica, aromática e de cosméticos. “O que falta é operacionalizar a produção local de medicamentos e cosméticos com a utilização de plantas amazônicas”, diz ele.
O pesquisador Juan Cordenas é autor do livro “Plantas da Amazônia — Oportunidades Econômicas e Sustentáveis”, editado pelo Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas, em parceria com o Inpa. O livro cataloga as potencialidades comerciais de 72 espécies de plantas da Amazônia, nativas e introduzidas, que têm aplicação garantida nas áreas medicinal e de cosméticos.
Já o PAS indica uma grande variedade de produtos florestais para a alimentação. São espécies que podem ser usadas tanto no consumo próprio quanto em escala comercial. A lista inclui açaí, araçá, araticum, babaçu, bacaba, bacuri, biribá, buriti, buritirana, cacau, caju, camu-camu, cupuaçu, graviola, jambo, jenipapo, mamorana, mangaba, murici, pequi, pitanga, pupunha, sapota, taperebá, umbu e uxi.
Atualmente, alguns produtos florestais da Amazônia são comercializados em mercados nacionais: o açaí, o guaraná, as frutas tropicais — em forma de polpas, doces e sorvetes —, o palmito (pupunha e açaí), diversos fitoterápicos e fitocosméticos, o couro vegetal, o artesanato de capim dourado e o artesanato indígena.
Além desses, existem outros produtos não-madeireiros com grande valor de exportação: castanha do Brasil, jarina (o marfim vegetal), a rutila e jaborandi (princípios ativos), pau-rosa (essência de perfume), e resinas e óleos.
Para o governo, esses produtos podem alcançar nichos significativos em nível nacional. “Estes nichos podem garantir escala suficiente para prover meios de vida sustentáveis com a diversidade socioambiental amazônica”, destaca o Plano Amazônia Sustentável, quando avalia o potencial dos produtos não-madeireiros da Amazônia.