Análise aponta motores da alta de soja e milho
O cenário energético também ganhou peso
O cenário energético também ganhou peso - Foto: Agrolink
A alta da soja e do milho mostrou que os preços agrícolas respondem não apenas ao tamanho da produção, mas também às expectativas, aos riscos e ao fluxo de capital. A avaliação é de Jardel Oliveira de Paula, gerente de barter, que aponta a reação das cotações após o relatório de julho de 2026 como sinal de que o mercado olhou além da projeção de uma safra recorde de soja nos Estados Unidos.
No fechamento de 14 de julho, a soja para novembro de 2026 chegou a US$ 12 por bushel, com avanço de 1,2% e máxima de oito semanas. O milho para dezembro alcançou US$ 4,70 por bushel, alta de 0,9%, em movimento de teste de resistência.
Entre os fatores de sustentação estiveram a retomada das compras chinesas, a demanda internacional resiliente, a valorização do óleo de soja e do petróleo, o risco climático no Corn Belt e a recompra de posições vendidas por fundos. A confirmação de venda privada de 264 mil toneladas de soja dos Estados Unidos para a China, referente à safra 2026/27, reforçou a percepção de demanda ativa.
O cenário energético também ganhou peso. O petróleo acima de US$ 80 por barril ajudou a elevar o óleo de soja, que representa de 30% a 35% do valor do esmagamento. Ao mesmo tempo, julho e agosto são meses decisivos para a polinização do milho e o enchimento de vagens da soja, mantendo o prêmio climático nas cotações.
O relatório projetou produção norte-americana de soja em 4,475 bilhões de bushels, 40 milhões acima de junho, exportações de 2,070 bilhões, aumento de 30 milhões, e estoques finais de 310 milhões, sem mudança. Os estoques mundiais foram estimados em 124,17 milhões de toneladas, recuo de 0,71 milhão. Para a comercialização, o movimento reforça a importância de acompanhar demanda, clima, energia e fundos, além dos números de produção.