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Análise de solo mostra que plantas OGM não afetam microbiota

Estudo comparou a microbiota do solo em nove áreas demonstrativas


Foto: Eliza Maliszewski

Segundo a CropLife Brasil a primeira planta transgênica no Brasil foi uma soja tolerante a herbicida, liberada para o cultivo comercial em outubro de 1998. Entre 2006 e 2020, foram aprovadas 106 das 108 plantas geneticamente modificadas autorizadas para cultivo no Brasil. As culturas para as quais existem tecnologias OGM aprovadas no país são: algodão, cana-de-açúcar, eucalipto, feijão, milho e soja.

A soja geneticamente modificada ocupa 35,1 milhões de hectares no Brasil, área 15% superior à ocupada pela oleaginosa nos EUA, de 30,43 milhões de hectares. O milho transgênico se estende por 16,3 milhões de hectares no país, o algodão por 1,4 milhão de hectares e a cana-de-açúcar, por 18 mil hectares. Os dados são do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações de Agrobiotecnologia (ISAAA) e se referem a 2019 quando foram 52,8 milhões de hectares cultivados no Brasil com as OGMs.

Agora um estudo buscou avaliar o impacto de plantio  e tratos culturais de culturas transgênicas na microbiota do solo. O pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB/USP), Welington L. Araújo, em parceria com a DSMA Biotecnologia, para a Monsanto, observou, por cinco anos, nove áreas demonstrativas para ver se havia impacto no solo e seu microorganismos benéficos. A comunidade microbiana do solo é composta por fungos, bactérias, nematoides entre outros organismos que habitam o solo e atuam de forma direta e indireta sobre a produtividade agrícola.

O levantamento foi feito nos municípios de São Luiz Gonzaga (RS), Ponta Grossa (PR), Londrina (PR), São Gabriel do Oeste (MS), Rondonópolis (MT), Sorriso (MT), Santa Helena de Goiás (GO) e Barreiras (BA).

Foram adotadas diferentes técnicas de avaliação. Uma das ferramentas para se obter a análise dos dados de sequenciamento de DNA dos micro-organismo presentes no solo, foi desenvolvida pela startup Biome4All. Com essa nova tecnologia, pode-se melhorar a análise da interação entre plantas GM e a comunidade microbiana do solo, auxiliando o setor público e as empresas na tomada de decisão em relação ao seu cultivo.

Outros estudos, incluindo milho e eucaliptos geneticamente modificados, também foram conduzidos pela DSMA em parceria com as empresas produtoras, como pré-requisito para liberação comercial dessas plantas. “Esses estudos envolveram o sequenciamento de DNA de fungos e bactérias do solo avaliado e a caracterizando dessa comunidade microbiana, presente em área de cultivo do OGM e de cultura tradicional, em diferentes locais e épocas”, conta Marília Sanchez, coordenadora técnica da empresa.

Segundo Marília, estudos realizados com diferentes espécies vegetais têm demonstrado que a época de amostragem e o local de cultivo apresentam um efeito maior sobre esta comunidade do que o genótipo da planta. “Até o momento esses dados nos mostram que áreas de cultivo tradicional e OGM apresentam diversidade semelhantes, não divergindo em relação às espécies e às funções ecológicas", aponta.

Considerando-se a importância desses micro-organismos na qualidade do solo, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) determina que para a liberação comercial de uma planta geneticamente modificada, deve-se observar o impacto desta cultura sobre a qualidade do solo e, em especial aos organismos não-alvo, incluindo a microbiota residente no solo.

 

 

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