Análise semanal do mercado da soja
Comentários referentes ao período entre 15/02/2013 a 21/02/2013
Prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
Apesar dos problemas climáticos ao sul da América do Sul, onde quebras já existem na Argentina e no Rio Grande do Sul, a produção total da região, em soja, está em 150,4 milhões de toneladas, contra apenas 117,2 milhões na frustrada safra passada. O número é mais baixo do que o inicialmente projetado, mas ainda se mantém como um importante volume para a recuperação da oferta mundial. Desse total regional, o Brasil ficaria com 84,6 milhões de toneladas (ainda não se contabilizam as quebras de safra no Rio Grande do Sul), a Argentina com 52,5 milhões (também sem contabilizar as últimas projeções indicadas acima), o Paraguai com 8,6 milhões, o Uruguai com 1,9 milhão e a Bolívia com 2,7 milhões de toneladas. No total, a América do Sul deverá exportar, neste ano 2012/13, 58,2 milhões de toneladas (+39% sobre o ano anterior), 48,9 milhões de toneladas de farelo (+12%) e 7 milhões de toneladas de óleo de soja (+18%), segundo levantamento de Safras & Mercado.
Dito isso, as exportações líquidas dos EUA, para 2013/14, somaram 345.000 toneladas na semana encerrada em 07/02, contra 771.000 toneladas na semana anterior. Por sua vez, os embarques semanais, na semana do 14/02, atingiram a 1,1 milhão de toneladas nos EUA, acumulando desde setembro/12 um total de 29,3 milhões de toneladas, contra 22,7 milhões no mesmo período do ano anterior.
Paralelamente, o esmagamento de soja nos EUA, em janeiro, chegou a 4,3 milhões de toneladas, contra 4,35 milhões em dezembro.
Já na Argentina, o esmagamento de soja em dezembro atingiu a 1,96 milhão de toneladas, contra 2,85 milhões em dezembro de 2011. No acumulado do ano comercial argentino abril/12-março/13 o esmagamento de soja alcança 26,04 milhões de toneladas, contra 30,2 milhões em igual período do ano anterior.
Enquanto isso, o prêmio nos portos brasileiros permanece dentro do padrão para esta época do ano. O mesmo varia entre 20 e 39 centavos de dólar por bushel. No Golfo do México (EUA) o prêmio ficou entre 65 e 72 centavos. Em ambos os países, prêmios para março. Já na Argentina, o prêmio para maio próximo ficou entre 15 e 30 centavos de dólar por bushel em Rosário.
No Brasil, na medida em que a colheita avança, os preços vão cedendo junto aos produtores. O balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 57,16/saco, havendo muitas regiões praticando valores ao redor de R$ 55,50. Nos lotes, o saco variou entre R$ 62,50 e R$ 63,25. Nas demais praças nacionais, os lotes giraram entre R$ 47,35/saco na região de Sapezal (MT) e R$ 60,00/saco em Pato Branco (PR). Com base no fechamento desta semana, para maio, a partir dos dados existentes hoje para o câmbio e o prêmio em Rio Grande, pode-se projetar um preço de R$ 51,00 a R$ 52,00/saco, no balcão, em abril, quando a colheita estiver intensa no Estado. Todavia, se Chicago ceder para níveis ao redor de US$ 13,00 a US$ 13,50/bushel, em função da pressão da oferta sul-americana, o preço gaúcho pode vir a valores entre R$ 46,00 e R$ 47,00/saco.
Auxilia muito para este comportamento, além da entrada da nova safra, o fato de o câmbio se manter ao redor de R$ 1,96 por dólar.
Na BM&F/Bovespa, a semana terminou com o contrato março valendo US$ 32,25/saco. Maio ficou em US$ 31,25 e novembro com US$ 28,87/saco.
Quanto à colheita no Brasil, até o dia 15/02 a mesma se mostrava mais avançada do que a média, com um total de 15% realizado, contra 11% de média histórica. No Paraná a mesma bateu em 25%, contra 9% na média; no Mato Grosso 25%, contra 22%; no Mato Grosso do Sul 26%, contra 11%; em Goiás 14%, contra 18%; em Minas Gerais 6%, contra 4%. Nos demais Estados produtores a mesma não havia iniciado. (cf. Safras & Mercado)
Enfim, vale destacar que a ameaça de greve portuária no Brasil, programada para os dias 22 e 26 de fevereiro, além de o setor primário argentino estar organizando uma greve geral para março, tem criado temor no mercado internacional, pois isso poderia bloquear temporariamente a comercialização da soja sul-americana num momento em que a oferta dos EUA é diminuta.
Abaixo seguem os gráficos da variação de preços da soja e seus derivados no período de 25/01 a 21/02/2013.
1_Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2_Economista, Mestre em Desenvolvimento, Analista e responsável técnico pelo Laboratório de Economia Aplicada e CEEMA vinculado ao DACEC/UNIJUÍ.