Análise vê clima no foco após alta do açúcar
Em dólar, a alta ficou em cerca de 20% sobre a média dos três meses
Em dólar, a alta ficou em cerca de 20% sobre a média dos três meses - Foto: Pixabay
O mercado de açúcar ganhou força em agosto, após meses de estabilidade, em meio a dúvidas sobre a oferta e ao avanço dos preços futuros. Segundo análise do Rabobank, os contratos do açúcar bruto em Nova York atingiram o maior nível do ano, com outubro em 17,5 centavos de dólar por libra-peso no dia 19, enquanto março e maio de 2027 superaram 18 centavos.
Em dólar, a alta ficou em cerca de 20% sobre a média dos três meses anteriores e, em reais, chegou a 23%, favorecida pela desvalorização da moeda brasileira. No Centro-Sul, a safra teve interrupções na moagem por causa das chuvas de maio e junho e maior direcionamento da cana para o etanol. Dados da UNICA apontaram mix de 42,5% para açúcar entre abril e junho, enquanto o MAPA indicou 44% de abril a julho.
Até o fim de julho, a produção regional somou 16,9 milhões de toneladas de açúcar, ante 19,2 milhões no mesmo período da safra anterior. Mesmo com expectativa de moagem entre 630 milhões e 645 milhões de toneladas, a análise indica queda da produção em 2026/27. Para igualar as 40,4 milhões de toneladas de 2025/26, o mix açucareiro entre agosto e o fim da safra teria de atingir 53%, considerando moagem de 640 milhões de toneladas e qualidade da cana semelhante à anterior.
Na Índia, a autorização para importar 1 milhão de toneladas de açúcar e as monções abaixo da média reforçaram as preocupações com a próxima safra. O quadro no Brasil e no país asiático estimulou o reposicionamento dos fundos e sustentou a alta. O mercado também deve acompanhar o clima, que poderá afetar a colheita, além da reação dos preços do etanol e do projeto que busca preservar a competitividade dos biocombustíveis diante da redução tributária sobre combustíveis fósseis.