Analista alerta para riscos do El Niño ao arroz em 2027
Os Estados Unidos também entram no radar
Os Estados Unidos também entram no radar - Foto: Canva
A possibilidade de um El Niño mais intenso em 2027 aumenta a atenção sobre a oferta global de alimentos, especialmente em mercados dependentes do equilíbrio entre produção, estoques e comércio internacional. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, o principal risco não está necessariamente em uma falta generalizada do cereal, mas na redução do volume disponível para exportação e na pressão sobre os preços caso diferentes regiões produtoras sejam afetadas ao mesmo tempo.
No Mercosul, a preocupação coincide com o início da implantação da safra 2026/27. Rio Grande do Sul, Uruguai, Argentina e Paraguai já enfrentam uma combinação de clima, disponibilidade de água, custos elevados e dificuldade de crédito, fatores que tornam o começo do ciclo mais sensível.
Os Estados Unidos também entram no radar pela disponibilidade de arroz, enquanto a América Central, mercado relevante tanto para os norte-americanos quanto para o Mercosul, é apontada como uma região particularmente vulnerável aos efeitos do El Niño. No Panamá, sinais de déficit hídrico podem ampliar a preocupação ao atingir também a operação do Canal do Panamá, aproximando riscos climáticos, agrícolas e logísticos.
Na Ásia, o comportamento de Índia, China, Tailândia e Vietnã também pode ser decisivo. Esses países têm peso importante no equilíbrio mundial do arroz, e eventuais problemas de produção ou medidas de restrição às exportações podem alterar rapidamente o mercado internacional.
Nesse cenário, a questão central passa a ser quem terá excedente para atender os países importadores e a que preço, caso o El Niño reduza simultaneamente a produção em diferentes regiões. Para o mercado de arroz, a avaliação indica que esse risco já merece acompanhamento.