Analista aponta elo limitado entre diesel e soja
O contraste com a relação entre petróleo e diesel é mais forte
O contraste com a relação entre petróleo e diesel é mais forte - Foto: Divulgação
A relação entre petróleo, diesel e soja ajuda a medir até que ponto movimentos no mercado de energia podem reduzir a incerteza sobre os preços do complexo da oleaginosa. Segundo Thiago Gil, especialista em finanças agrícolas, essa conexão existe, mas seu poder explicativo sobre o óleo de soja é limitado.
A análise parte da informação mútua, medida usada para identificar relações lineares e não lineares entre variáveis. No exercício, os retornos diários de diesel e óleo de soja foram distribuídos em cinco faixas de igual frequência, de níveis muito baixos a muito altos. Em seguida, o método comparou a incerteza sobre o retorno do óleo de soja antes e depois de se conhecer a faixa de variação do diesel.
Os dados indicam que a informação mútua entre diesel e óleo de soja foi de 0,0495, equivalente a cerca de 3,1% da área de incerteza considerada. Na prática, conhecer a variação do diesel reduz apenas uma pequena parcela da incerteza sobre o comportamento do óleo de soja. A maior parte dos movimentos permanece relacionada a outros fatores.
O contraste com a relação entre petróleo e diesel é mais forte. Nesse caso, a informação mútua chegou a 0,4046, correspondente a 25,1% da área. O cálculo considerou 3.424 retornos diários entre 2013 e 2026, organizados em cinco faixas por quantis.
O resultado mostra que há um canal de comunicação entre o mercado de petróleo e o complexo da soja, por meio do biodiesel e dos óleos vegetais, mas o sinal perde força quando chega ao óleo de soja. O diesel acrescenta alguma informação à análise, porém o ruído continua predominante.