Analista vê oportunidades nos mercados de grãos
As dificuldades também incluem as interrupções no Estreito de Ormuz
As dificuldades também incluem as interrupções no Estreito de Ormuz - Foto: Divulgação
Os mercados globais de grãos seguem pressionados por custos de produção elevados, maior concorrência entre fornecedores e incertezas no comércio internacional. Nesse cenário, a busca por novos mercados e novos usos para as commodities ganha importância, enquanto choques geopolíticos e eventos climáticos continuam influenciando preços e margens dos produtores.
Segundo Justin Benavidez, economista-chefe do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a rentabilidade dos produtores americanos vem sendo comprimida pela alta dos insumos e pelo avanço de concorrentes globais mais eficientes. Ele avaliou que depender de crises para sustentar os preços não é uma estratégia viável no longo prazo e defendeu maior atenção à expansão da demanda.
As dificuldades também incluem as interrupções no Estreito de Ormuz, rota relevante para o comércio marítimo de fertilizantes e energia. O economista estima que, mesmo após a normalização da passagem, seriam necessários de quatro a seis meses para o transporte voltar ao ritmo habitual. Esse atraso pode elevar custos e influenciar decisões de plantio da próxima safra nos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, há sinais positivos para milho e soja. A forte demanda por milho, especialmente do México, e as metas recordes do programa americano de combustíveis renováveis abriram mercados considerados lucrativos para as duas culturas. Já o trigo deve ter produção historicamente baixa em 2026, o que sustenta os preços, embora reduza sua competitividade nas exportações.
Para Benavidez, o desempenho dos produtores dependerá cada vez mais do controle de custos, do momento de comercialização e da capacidade de aproveitar altas pontuais. A avaliação é que mudanças duradouras de preço exigem alterações na relação entre oferta e demanda.