Analistas veem pausas na trajetória de queda dos juros
O IPCA-15 de junho subiu 0,41%
O IPCA-15 de junho subiu 0,41% - Foto: Canva
O cenário econômico combina inflação resistente no exterior, cautela na condução dos juros no Brasil e sinais de força no mercado de trabalho. Segundo o Rabobank, os dados recentes reforçam a percepção de que a convergência da inflação para as metas segue sujeita a riscos relevantes.
Nos Estados Unidos, o núcleo do PCE de maio avançou 0,3% no mês e 3,4% em 12 meses, em linha com as expectativas, mas manteve a leitura de pressão inflacionária persistente. No Brasil, a ata do Copom e o Relatório de Política Monetária apontaram um balanço de riscos assimétrico para cima e indicaram uma trajetória de queda dos juros intercalada por pausas.
Diante desse quadro, o banco revisou a projeção para a Selic no fim de 2026, de 13,50% para 14,00%. A mudança levou à redução das estimativas de crescimento do PIB para 2,4% em 2027 e 2,6% em 2028. O Banco Central busca evitar movimentos bruscos que possam levar a inflação abaixo da meta e considera a possibilidade de interromper e depois retomar o ciclo de ajuste monetário.
O IPCA-15 de junho subiu 0,41%, abaixo da expectativa do mercado e da projeção do Rabobank, após alta de 0,62% em maio. A inflação de alimentos perdeu força, enquanto a energia elétrica continuou entre as principais pressões. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego caiu para 5,6% em maio, ante 5,8% em abril.
No câmbio, o dólar encerrou a semana anterior em R$ 5,1720, com desvalorização de 0,41% do real. A projeção é de retorno a R$ 5,35 até o fim do ano, diante da expectativa de menor diferencial de juros, possível recuperação da moeda americana e fragilidade fiscal em ano eleitoral. Mesmo com o acordo anunciado entre Estados Unidos e Irã, os riscos geopolíticos seguem elevados, com previsão de que o Estreito de Ormuz permaneça fechado por mais tempo.