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Analistas veem sustentação para o trigo

A pressão baixista veio da liquidação de contratos


A pressão baixista veio da liquidação de contratos A pressão baixista veio da liquidação de contratos - Foto: Divulgação

O mercado de trigo atravessa um período de forte volatilidade, mas ainda sustentado por fundamentos que indicam preços firmes no médio prazo. Segundo a TF Agroeconômica, mesmo com as três últimas sessões de queda em Chicago, o saldo semanal permaneceu positivo, refletindo um ambiente de oferta mais ajustada e riscos climáticos em importantes regiões produtoras.

A pressão baixista veio da liquidação de contratos por grandes fundos de investimento, que realizaram lucros após a valorização registrada depois do relatório do USDA. A ausência de avanços comerciais concretos após a visita diplomática de Donald Trump à China também frustrou expectativas de possíveis acordos envolvendo soja e trigo, levando os investidores a reduzir posições compradas. Além disso, a aproximação da colheita nos Estados Unidos adicionou pressão sazonal às cotações.

Apesar das correções recentes, os fatores de sustentação seguem relevantes. O USDA elevou para 71% a área de trigo de inverno sob algum grau de seca nos Estados Unidos, ante 23% no mesmo período do ano passado. Avaliações no Kansas e em Oklahoma indicaram produtividades abaixo das registradas no ano anterior e inferiores à média histórica. No Kansas, seca, geadas e doenças reduziram o potencial produtivo e aumentaram o risco de abandono de áreas.

A demanda externa também segue como ponto de apoio, com exportações americanas cerca de 16% acima do ano passado. Na Argentina, as projeções para a próxima safra foram reduzidas pelas bolsas de Rosário e Buenos Aires, diante da menor área plantada e da expectativa de menor uso de fertilizantes. Na Rússia, chuvas excessivas e frio atrasam o plantio do trigo de primavera. No Brasil, a Conab também reduziu a estimativa da safra nacional.

Tecnicamente, o trigo passou a operar em novo patamar após a revisão do USDA para a produção americana e mundial. O suporte importante está próximo de 600 cents por bushel, com resistência na região de 680 cents e viés altista enquanto os preços permanecerem acima de 630 a 640 cents.

No Paraná, os preços retomaram a alta após breve acomodação, sustentados pela menor disponibilidade futura de trigo de qualidade. No Rio Grande do Sul, a tendência segue altista, com maior volatilidade, diante da escassez de trigo de qualidade, da paridade de importação mais elevada e do custo alto do produto argentino. O produtor permanece retraído nas vendas, à espera de valores mais firmes.
 

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