Angus eleva produtividade da pecuária no Pará
Associação Brasileira de Angus vai discutir pecuária em evento no Estado
O gerente do Programa Carne Angus Certificada, Fábio Medeiros, confia no sucesso da iniciativa no Pará, principalmente como uma forma de valorizar a produção local e dar aos criadores uma opção mais lucrativa do que a exportação de gado em pé, tradicional fonte de renda da pecuária local. Pensando nisso, a Associação Brasileira de Angus realizará workshop em Água Azul do Norte (PA) no próximo dia 25 de julho em parceria com o Frigol para destacar as potencialidades dos cruzamentos para valorização da carne. O encontro deve reunir criadores e contará com apresentação sobre a raça, políticas de bonificações e detalhes sobre o sistema de adesão ao programa Angus Beef Frigol.
O ganho de produtividade dentro da porteira é visto por especialistas como a melhor opção para uma região onde a expansão de área produtiva está limitada por reservas ambientais. “O Pará é um estado que tem forte pressão ambiental. Cada vez mais se busca animais mais precoces, que ficam prontos em menos tempo para se produzir mais e melhor”, pontua o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Guilherme Minssen, lembrando que apenas 24% da área do estado é utilizada e que os demais 76% são reservas.
O técnico da Associação Brasileira de Angus e médico veterinário Antonio Francisco Chaves Neto confirma que o interesse pela Angus “está alto na região e vem aumentando”. Estimativas indicam que 68% do PIB do Pará está ligado à agropecuária, setor que também é a principal fonte de renda de metade dos municípios do Estado.
O consultor Adrovany Teixeira Cavalheiro, da Soma Consultoria e Gestão Agropecuária, concorda que os avanços do choque de sangue no rebanho do Pará são indiscutíveis para elevar a produtividade. Ele conta que acompanhou caso de animais meio sangue em pastagens de braquiária com suplementação que obtiveram ganho de 1,11kg enquanto Nelore nas mesmas condições não passaram de 750g. O zootecnista pontua que, entre as vantagens da raça, também estão a boa adaptação às condições climáticas da região e a padronização dos bezerros, o que rende lotes uniformes e precoces.
Contudo, o consultor e mestre em Pastagens destaca que a opção pela cruza com o Angus exige atenção e um manejo eficiente para evitar o comprometimento da base de matrizes zebuínas sob o risco de prejudicar a qualidade das gerações futuras. “Hoje, ainda existe pouco critério para uso da Angus de modo a se ter boa longevidade do rebanho. É preciso planejamento e um trabalho que prepare as matrizes para receber o Angus”, alerta, pontuando a necessidade de critério zootécnicos claros para a definição das vacas que serão submetidas a IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo). O zootecnista reforça que a expansão dos investimentos na qualidade da produção ainda passa pela melhor remuneração por parte dos frigoríficos. "Esta é a proposta que estaremos apresentando em parceria com o Frigol no evento do dia 25 de julho. Mostraremos os padrões que são demandados pelo mercado, discutiremos como obtê-los e apresentaremos as premiações que a indústria oferecerá aos produtores participantes", diz Medeiros.