Antônio Sartori debate futuro do agro em evento da Federasul
O evento "Tá na Mesa" da FEDERASUL ocorreu nesta quarta-feira (8) em Porto Alegre
Foto: Seane Lennon
Nesta quarta-feira (8), a Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) realizou, em sua sede em Porto Alegre, mais uma edição do evento “Tá na Mesa”. O encontro contou com a palestra do presidente da Brasoja, Antônio Sartori, que abordou o tema “Agro, o que vem pela frente: soberania alimentar e energética”.
Durante a apresentação, Sartori afirmou que o agronegócio deverá enfrentar um novo momento econômico nos próximos anos. Segundo ele, “no ano que vem, o agronegócio entra em uma nova fase desafiadora marcada pela virada do ciclo econômico, avançando para um ambiente de maior pressão financeira”. Ele acrescentou que “a instabilidade geopolítica, as mudanças climáticas e a volatilidade de mercado são fatores que aumentam os riscos e tornam o planejamento mais desafiador”.
Ao comentar durante a coletiva de imprensa as projeções para a safra de soja, Sartori afirmou que ainda há incertezas relacionadas às condições climáticas e ao desenvolvimento da colheita. “Que a safra deve ser alguma coisa entre 19 e 20. Essa é a fotografia de hoje”, disse. Ele explicou que a produtividade pode variar conforme o regime de chuvas no período anterior à colheita. “Se chover bem, o diâmetro do grão fica gordinho por 6 mililitros. Se não chover, o grão fica magrinho, 4 mililitros. A diferença é 40%”, afirmou. Segundo ele, a colheita ocorre ao longo de cerca de 60 dias e o resultado final dependerá das condições climáticas nas próximas semanas. “No ano passado nós trabalhamos com uma safra de 15,5. Eu acho que esse ano vai ser um pouco mais de 19,00. O que eu mais quero é errar”, declarou.
O dirigente também mencionou o endividamento de produtores e a variação de produtividade entre regiões do Rio Grande do Sul. “Com produtor muito endividado, os preços, como a produtividade que nós estamos tendo no Estado”, afirmou. Sartori citou diferenças entre áreas produtoras, com municípios colhendo menos de 30 sacas por hectare enquanto outros superam 60 sacas. Ele também mencionou fatores externos que contribuem para o cenário de incerteza. “Tem muita incerteza, muito medo, muita preocupação”, disse, citando também a possibilidade de formação do fenômeno El Niño, monitorado pela National Oceanic and Atmospheric Administration.
Ao abordar o tema da soberania alimentar e energética, Sartori destacou a dependência brasileira de importações de trigo. “Nós consumimos 12 milhões de toneladas de trigo durante o ano. Se a Argentina não vende o trigo, o Brasil vai não comer pão", afirmou, ao comentar a relação entre a produção agrícola e a segurança alimentar.
Apesar dos desafios, ele avaliou que há espaço para crescimento do setor. “As perspectivas são fantásticas, para quem for dramaticamente competente e competitivo, não apenas dentro da porteira, mas fora da porteira”, disse. Sartori acrescentou que a demanda mundial por alimentos tende a crescer e que o Brasil possui potencial de expansão produtiva. “A Ásia não tem mais fronteira agrícola. A Europa não tem mais fronteira agrícola. Os americanos não têm mais fronteira agrícola. O único lado do mundo que tem fronteira agrícola é o planeta Brasil”, afirmou.
Ao comentar a expansão do uso de biocombustíveis, Sartori defendeu o aumento da participação do biodiesel na matriz energética. “Por que nós temos disponibilidade. Porque é limpo. Porque gera emprego. Porque gera renda”, afirmou. Ele citou que o país produz cerca de 12 milhões de toneladas de óleo a partir do esmagamento de soja e destacou a possibilidade de ampliar a mistura obrigatória de biodiesel no diesel.
Sobre o avanço da produção de etanol no estado, Sartori afirmou que a agricultura passa a atender também à demanda por energia. Segundo ele, o movimento tende a ganhar espaço no Rio Grande do Sul, impulsionado pela produção de matérias-primas como milho e cana e pela demanda por fontes renováveis. “Essa expansão exige equilíbrio, já que a destinação de grãos para energia pode influenciar a oferta de alimentos”, disse.
Ao falar sobre orientações aos produtores, Sartori afirmou que é necessário priorizar informações confiáveis e investir em práticas de manejo do solo. “Primeiro ele tem de selecionar fontes confiáveis de informação”, disse. Ele também destacou a importância da rotação de culturas como estratégia de fortalecimento da produtividade e da conservação do solo.
Ao receber o palestrante, o presidente da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul, Rodrigo Sousa Costa, afirmou que a economia do estado mantém forte relação com o setor agropecuário. “Os produtores rurais do estado ainda estão tentando amortecer os prejuízos e sofrem impedidos de desenvolver seu potencial diante da falta de crédito”, declarou.