Apac propõe nova comercialização

Agronegócio

Apac propõe nova comercialização

Pa­ra agre­gar va­lor en­ti­da­de de­fen­de ex­por­ta­ção do ca­fé be­ne­fi­cia­do
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Atender emergencialmente os cafeicultores brasileiros é ação imprescindível neste momento, no entender da entidade que representa os produtores do Paraná, que se junta às demais formas de organização para reivindicar soluções para o setor. Mas a Associação dos Cafeicultores Paranaenses (Apac) lista uma série de medidas, no seu entender, necessárias para resolver os problemas estruturais e históricos que o setor enfrenta.

De acordo com Ricardo Gonçalves Strenger, presidente da Apac, não basta o socorro imediato aos produtores, por meio do estabelecimento do preço mínimo do café. "Preços não sobem por decreto. Carregar estoques, perpetuar leilões e aquisições do governo é perpetuar preços baixos", sentencia.

Para a Apac, uma das autoras da proposta que determina a exportação de parte da produção somente na forma torrado e moído, um dos problemas da cafeicultura brasileira é que ainda hoje o produto é vendido cru no mercado externo. "O café brasileiro foi negociado sempre pela quantidade e não pela qualidade, o que desvaloriza nosso produto", diz Strenger.

A exportação do café beneficiado é uma forma de agregar valor. A Apac propõe que o percentual de café torrado e moído a ser exportado seja acrescido de 5% ao ano até atingir 50%. Segundo cálculos da entidade, o Brasil teria uma reserva de grãos exportáveis nessa forma de 8 milhões de sacas.

Segundo Strenger, a nova estrutura de comercialização promove um ordenamento melhor da safra e a imediata valorização do grão cru. Sem o processamento, reforça, o produto fica exposto às oscilações do mercado de commodities. "O café deixa de ser produto primário e deixa de ser regulado pela bolsa de Nova York", afirma.

A Apac também defende campanhas de marketing do café brasileiro. A proposta é a criação da multinacional Brasil-Café, por meio de uma parceria pública-privada, com financiamento governamental. Uma das ações da empresa seria a instalação de cafeterias em grandes cidades do mundo para reforçar e divulgar a qualidade do produto brasileiro. Pela proposta da entidade a empresa também seria uma torrefadora, com fábricas no Brasil e exterior. A receita resultante do beneficiamento seria revertida diretamente ao produtor.

A outra proposição da Apac exige a normatização da qualidade do grão cru. Os compradores depreciam o café pela cata - grãos com defeito ou sem qualidade - mas esse produto é levado e beneficiado pela indústria sem custo da matéria prima. A entidade calcula que existam de 4 a 8 milhões de sacas de cata, que não são pagas, mas são destinadas ao mercado consumidor.

"As medidas vão eliminar o café ruim do mercado, regular a oferta e melhorar os preços", diz Strenger. A proposta, segundo ele, é favorável ao setor, diferentemente dos leilões.

Há também outros mecanismos para a normatização do grão, como o Regulamento Técnico da Instrução Normativa 8, do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa), de 2003, que não foi adotado. Strenger acrescenta que é necessária a instituição de um certificado de classificação. A fiscalização federal é citada como fundamental para a implementação da proposta.

A rotulação do café é outra medida de valorização do produto e que vai diferenciar os tipos e misturas entre Arábica e Robusta e Conillon. Strenger também defende a revitalização da Associação Brasileira de Café Arábica. O presidente da entidade também propõe a criação da Organização Mundial de Café Artábica, em substituição à Organização Internacional do Café (OIC), em que produtores ficam em desvantagem em relação aos comerciantes e industriais, que também compõem a entidade.


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