Após recuo por causa da gripe A, preço do suíno começa a se recuperar em SC

Agronegócio

Após recuo por causa da gripe A, preço do suíno começa a se recuperar em SC

As cotações entre julho e agosto subiram em relação aos patamares vistos entre abril e junho deste ano
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O preço pago aos criadores de suínos em Santa Catarina, maior Estado produtor do país, apresenta ligeira reação. As cotações entre julho e agosto subiram em relação aos patamares vistos entre abril e junho deste ano, quando o setor começou a sentir as consequências da gripe A (H1N1), popularmente conhecida como gripe suína. A denominação acabou afetando o consumo da proteína pelo temor de que houvesse contaminação pela ingestão de carne suína.

"O medo de consumir carne por conta do nome da gripe passou um pouco. Estamos voltando aos preços de onde saímos. Mas não vejo grandes mudanças de quadro no setor", afirma o diretor-executivo do Sindicarnes-SC, Ricardo Gouvêa. "Se olharmos para abril, melhorou. Mas gostaria que não fosse apenas um suspiro, mas uma respiração profunda", comentou.
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Entidades ligadas aos produtores também afirmam que ainda não há recuperação plena e descartam, por enquanto, tendência de alta nos próximos meses. A avaliação é que houve um ajuste depois que o consumidor teve mais informações sobre a nova gripe.

Em julho, o valor médio pago aos produtores independentes foi de R$ 1,95 por quilo e aos integrados às agroindústrias, de R$ 1,97 (ver quadro), voltando ao patamar próximo a janeiro deste ano, de acordo com levantamento feito pela Epagri/Cepa, na região de Chapecó, maior região de comercialização em Santa Catarina. Nos primeiros quinze dias de agosto, o preço médio ainda manteve-se alto se comparado aos meses anteriores, mas apresentou um leve recuo, a R$ 1,84 para os independentes e a R$ 1,93 para integrados.

"Existe uma melhora de mercado, mas não se trata ainda de uma alta consistente. Poderá haver outras pequenas oscilações para baixo porque a exportação pode não deslanchar totalmente", avalia Julio Rodigheri, analista da Epagri/Cepa.

Gouvêa considera a situação "delicada". Em parte porque o consumo no mercado interno não tem reagido com intensidade, uma vez que carnes bovina e frango estão mais baratas e pela queda nas suas exportações. Além disso, parte da produção de carne suína que não está sendo exportada é escoada para o mercado doméstico. Soma-se a isso o fato de as compras da Rússia não serem tão fortes como foram no passado. Hoje, em Santa Catarina apenas Seara e Pamplona estão habilitadas para exportar carnes à Rússia, depois de três anos de embargo ao Estado.

O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Wolmir de Souza, acredita que não se trata ainda de uma recuperação capaz de "terminar com a crise do setor", e diz que novas altas dependerão da melhora de preços no mercado externo. "Desta vez pode ser uma reação mais lenta, mas acho que passou a fase grave de queda de consumo por conta da gripe. Existe uma reação por conta disso no mercado interno e por conta do inverno, período em que sazonalmente a demanda por suínos é maior". Apesar do preço melhor, ele destaca que ainda está aquém dos custos de produção, hoje em torno de R$ 2,30 o quilo.

Na avaliação do vice-presidente da Federação Agrícola de Santa Catarina, Enori Barbieri, o mercado de suínos ainda passa "pela sua pior fase". "Com dificuldades nas exportações, as empresas estão forçando a colocação da carne no mercado nacional, que também não está muito forte, principalmente na parte de carne in natura, que teve recuo de 75% no consumo desde a gripe. Sem perspectiva imediata de novos mercados, não vejo solução para o setor", afirma.

Em busca de outros compradores internacionais, o setor se prepara para receber em outubro visita técnica da União Europeia, para avaliação de bovinos e suínos. Há pelo menos dois anos Santa Catarina vem negociando com italianos a exportação de novilhos vivos para posterior abate na Itália. Na carne suína, desde que em maio de 2007 conseguiu o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como área livre de febre aftosa, Santa Catarina tenta entrar na Europa.

Hoje, representantes do setor de suínos pretendem se reunir com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, com uma lista de reivindicações. Entre elas, Barbieri diz que está o pedido de subsídios para as exportações para evitar o excesso de oferta no mercado interno.


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