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Armadilhas contra lagarta

São instaladas armadilhas para coleta de lagartas


MT é primeiro Estado do país a fazer levantamento amplo de ocorrência da praga. Resultados já apareceram através de ações práticas

Armadilhas com feromônios de Helicoverpa estão sendo instaladas em lavouras de soja de várias regiões do Estado e já estão dando resultados e possibilitando ações diferenciadas sobre a praga, que é hoje a maior preocupação do produtor, não apenas no Estado, como em grandes estados produtores de grãos e fibras no país. A implantação dessa ferramenta de pesquisa e monitoramento é feita na medida em que as propriedades são visitadas pela expedição Circuito Tecnológico, promovido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT). Nesta semana, segunda etapa de visitas da caravana, a atuação se concentra nas regiões sul e leste de Mato Grosso. 

Como explica o diretor técnico da Aprosoja/MT e coordenador do Circuito, Nery Ribas, a expedição está distribuindo armadilhas para mapeamento da lagarta Helicoverpa, focada no gênero armigera, a mais agressiva e mais resistente ao combate químico. Uma equipe extra – ao invés de oito, neste ano tem a nona - liderada pelo presidente da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal (CDSV) do Ministério da Agricultura no Estado, Wanderlei Dias Guerra, está direcionada exclusivamente para pragas e doenças, ou seja, focada na questão fitossanitária da safra 2013/14 de soja. 

Ribas explica que as armadilhas integram as ações do projeto Grupo Helicoverpa Mato Grosso (GHMT). “A Aprosoja/MT comprou 100 armadilhas que estão sendo instaladas aonde há registros da presença da Helicoverpa. A captura ajuda a identificar o gênero, se zea ou armigera, como também em que momento do ciclo de vida a lagarta se encontra. As armadilhas possuem feromônios de Helicoverpa para atrair a espécie”. Para a implantação da armadilha, o produtor se compromete a enviar informações sobre as coletas. 

O monitoramento, por meio das armadilhas que já identificaram o gênero das lagartas, está permitindo um trabalho de controle e combate diferenciado em muitas propriedades do Estado. “Antes de instalar as armadilhas, procuramos de forma aleatória a presença de ovos e ou lagartas nos primeiros ínstares”, explica Dias Guerra. 

O coordenador da CDSV/Mapa lembra que Mato Grosso é o primeiro estado a fazer um levantamento amplo de ocorrência da praga. “Os municípios aonde já se detectou a praga, os produtores foram avisados, alertados e têm condições ou já fizeram os pedidos de importação do benzoato de Emamectina, produto que combate a lagarta. Quem está plantando agora, após a regularização das chuvas, está começando os trabalhos com ações diferenciadas e focadas no controle fitossanitário, ou seja, aplicando herbicidas para eliminar as plantas guaxas e o inseticida junto. Em área como a visitada hoje, onde a mistura herbicidas e inseticidas foi adotada, encontramos lagartas sim, mas mortas”, exclama. 

Dias Guerras aponta que depois que uma praga entra no país só resta aprender a conviver com ela. “Do ponto de vista ecológico e ambiental nem é recomendado tentar se fazer uma erradicação da lagarta, e para isso, para aprender a conviver com ela, o produtor precisa ouvir o que vem da pesquisa e dos monitoramentos. Assim ele terá êxito no controle e combate e a situação não se agravará”. 

DIÁRIO DE BORDO – Dias Guerra está desde o início do plantio da nova safra visitando vários municípios produtores, como forma de antecipar problemas com as lagartas e com a ferrugem asiática que deve começar a dar trabalho na medida em o clima se mantiver ideal ao fungo Phakopsora pachyrhizi: quente e úmido. O gênero armigera da Helicoverpa pôde ser confirmado em lavouras do noroeste, graças ao resultado das armadilhas. Entre várias observações que tem feito fica comprovada a desinformação de técnicos e produtores e a imprudência/negligência no trato diário da lavoura. 

Na última quarta-feira, por exemplo, no sul do Estado, Dias Guerra flagrou plantios feitos mais cedo, ainda na segunda quinzena de setembro que já estão entrando na terceira aplicação contra Helicoverpa, e o pior, “ficaram bem evidentes os escapes, pois tem lagarta nos últimos instares, nos primeiros e com ovos. Tem lagarta que volta a comer, após algumas horas da aplicação como se nada tivesse acontecido, elas não estão nem aí”, publicou em seu Facebook. Diante dessas e outras constatações, ele recomenda: “Para quem está com lavoura nova, germinando, deve ter capricho na primeira aplicação, controlar as lagartas logo no início. Rotação de grupo químico - somente depois de uma geração da praga – é prática fundamental, além é claro, uso de produtos biológicos para preservar os inimigos naturais, dentro do princípio do monitoramento integrado de pragas (MIP)”. 
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