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Armazenagem inadequada pode comprometer aroma e qualidade do café

Café pode absorver odores e perder qualidade durante o armazenamento


Foto: Pixabay

Um café bem colhido e seco ainda pode perder qualidade antes de chegar ao comprador. Durante a armazenagem, a proximidade com combustíveis, defensivos agrícolas, fertilizantes e outros materiais de cheiro forte pode provocar alterações no aroma e na bebida. O problema pode ocorrer mesmo sem contato direto entre o café e esses produtos.

A explicação está nas características do próprio grão. O café verde é higroscópico, termo utilizado para materiais capazes de trocar umidade com o ambiente. Além de absorver ou liberar água, o grão também pode incorporar compostos voláteis presentes no ar, incluindo substâncias responsáveis por diferentes odores.

O risco aumenta em locais fechados, mal ventilados ou onde diferentes mercadorias são armazenadas juntas. A umidade do café também interfere nesse processo. O material apresenta cerca de 12% de umidade em base úmida como referência da literatura para segurança de armazenamento, mas ressalta que esse valor não deve ser interpretado como uma meta única.

Entre os sinais sensoriais de uma possível contaminação estão odores associados a diesel, óleo queimado, solvente, borracha, produtos químicos, desinfetante, mofo e terra úmida. Segundo o conteúdo analisado, esses defeitos prejudicam a bebida, podem reduzir o valor do lote e dificultar o acesso a padrões comerciais de maior valor agregado.

A prevenção começa pela organização da propriedade. O armazém destinado ao café não deve funcionar como depósito geral. Combustíveis, lubrificantes, defensivos, fertilizantes, solventes, tintas, produtos de limpeza concentrados, rações e materiais de odor intenso devem permanecer em espaços separados.

A avaliação do galpão pode ser feita antes mesmo da entrada do café. Cheiros fortes perceptíveis, manchas de óleo, restos de embalagens, pouca ventilação e a utilização do espaço como oficina são sinais de alerta. Caso essas condições estejam presentes, a orientação apresentada no material é reorganizar a estrutura e separar fisicamente o café das possíveis fontes de contaminação.

Ventilação e controle da umidade também fazem parte do manejo. A recomendação é permitir circulação de ar por aberturas laterais e superiores protegidas da chuva e acompanhar a umidade relativa interna. O café deve permanecer sobre paletes ou estrados, sem contato direto com o piso.

A higiene do armazém exige atenção contínua. Poeira, cascas de café, restos de sacaria e lixo devem ser removidos. Poças de água ou óleo não devem permanecer no local. Produtos de limpeza com odor muito forte precisam ser evitados nas proximidades do café e, quando necessários, o material orienta que sejam usados preferencialmente quando não houver café armazenado ou quando existir boa ventilação.

O período entre junho e novembro recebe atenção especial no conteúdo porque costuma concentrar colheita, secagem, beneficiamento e montagem de estoques nas regiões produtoras mencionadas. Com mais máquinas, caminhões e insumos circulando pela propriedade, aumenta a necessidade de planejar os espaços antes do início da colheita.

O fluxo de veículos é um dos pontos desse planejamento. Caminhões, tratores e carretas devem parar fora do armazém de café, de preferência em uma área específica para carga e descarga. No caso dos secadores, a disposição das estruturas deve impedir que fumaça, vapores de óleo ou gases de combustão entrem diretamente no galpão.

Em períodos chuvosos, quando o café pode permanecer por mais tempo em big bags ou tulhas à espera da secagem, o afastamento de produtos de cheiro forte torna-se ainda mais importante. Defensivos e fertilizantes destinados a outras atividades ou à safra seguinte devem ficar em galpões específicos e sem comunicação direta com o espaço do café beneficiado.

Outras etapas da pós-colheita também interferem na prevenção de odores indesejáveis. O manejo de impurezas desde a colheita, a secagem adequada, a regulagem de máquinas no beneficiamento e o uso de sacarias, big bags ou silos limpos fazem parte do mesmo cuidado. O material orienta a não reutilizar embalagens de defensivos, fertilizantes, óleos ou solventes para armazenar café, mesmo depois de lavadas.

A rastreabilidade completa esse trabalho. A identificação dos lotes, das datas e dos locais de armazenamento facilita a localização de possíveis pontos de contaminação caso algum defeito apareça posteriormente na avaliação da bebida.

Além dos aspectos de qualidade, o material chama a atenção para a segurança no armazenamento de produtos químicos e combustíveis. Defensivos devem permanecer em depósito próprio, ventilado, sinalizado e com acesso restrito. Para adequar estruturas às exigências aplicáveis, a orientação é consultar um engenheiro agrônomo ou profissional de segurança do trabalho e seguir as informações presentes nos rótulos e nas fichas de segurança dos produtos.

Na prática, preservar a qualidade do café depois da colheita depende de cuidados que precisam continuar até a saída do produto do armazém. Separar fontes de odores, controlar as condições do ambiente, organizar a circulação de máquinas, manter higiene e registrar ocorrências reduz os pontos de exposição identificados no material. A atenção nessa etapa ajuda a preservar as características do lote durante o período em que o café aguarda classificação, formação de lotes comerciais ou venda.

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