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Arroba do boi gordo chega a R$ 74 em MT

A alta poderá continuar a sua trajetória nos próximos meses, já que o mercado futuro vem puxando os preços para cima


Com uma valorização de 23% sobre os preços de janeiro, quando a arroba estava sendo comercializada por R$ 60 nas regiões habilitadas à exportação, o boi gordo atingiu ontem o seu preço máximo em Mato Grosso ao ser negociado por até R$ 74 nas praças de Cuiabá, Rondonópolis e Barra do Garças.


“Os preços estão nessa ordem em função da forte demanda do mercado, que impõe a compra pelos frigoríficos de uma escala curta de abate”, disse o coordenador do Centro de Comercialização de Bovinos (Centro-Boi) da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado, Luiz Heraldo Padilha.

A alta, contudo, poderá continuar a sua trajetória nos próximos meses, já que o mercado futuro vem puxando os preços para cima. “Temos informações de que os preços da arroba do boi gordo, na Bolsa de Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&F), se firmaram em R$ 80 para os meses outubro e novembro”, revelou.

Ainda assim, Padilha evita recomendar a venda antecipada a preços nesses patamares. “O mercado, na verdade, pode apresentar novidades nos próximos meses, pois há fatores que podem puxar o preço para cima do boi gordo, como a esperada liberação das compras pela Europa. Se isto acontecer, os preços da arroba poderão valorizar um pouco mais acima do que o mercado futuro está sinalizando”.


A recuperação dos preços para o produtor é explicada pela menor oferta de bois de pasto nesta época do ano e pela comercialização de gado confinado, que é mais caro e responde hoje por cerca de 80% de todo o volume de abate no Estado.

A reação nos preços da arroba do boi gordo confirma a previsão dos pecuaristas, que apontavam a recuperação dos preços devido à redução da oferta de bois de pasto e confinados. Segundo os produtores, o consumo interno também vem aumentando. “Aliado a este fator, tivemos o prolongamento da estiagem e a desova de gado confinado em uma época mais cedo do que a esperada”, afirma o diretor executivo da Associação dos Proprietários Rurais do Estado de Mato Grosso (APR/MT), Paulo Resende.

Ele admite que está havendo uma recuperação da renda para o produtor, mas os preços da arroba ainda não são os ideais. “O pecuarista hoje está em uma situação mais confortável e o invernista começa a recuperar os prejuízos. Mas ainda estamos longe do preço ideal, que seria de R$ 80/arroba para que possamos ter algum ganho real com a pecuária de corte”.

Segundo ele, com a alta da mineralização do rebanho, a lucratividade do pecuarista “é quase zero”. “Estamos quase empatando e isso não é bom para quem está em uma atividade arriscada”.

Resende informou que a oferta de boi gordo ainda está escassa. “As escalas dos frigoríficos estão para dois ou três dias. Não tem mercadoria”.

Ele explicou que a escassez é devido à matança indiscriminada de matrizes (fêmeas) nos últimos dois anos. “A atividade estava quase insustentável, por isso os pecuaristas abateram vacas para reduzir o rebanho”. Outro motivo da escassez de animais é a antecipação do abate de animais de confinamento, no ano passado. “Com isso, houve forte redução na oferta de animais terminados (prontos) tanto de fêmeas quanto de machos”.


A APR diz que a tendência é de que os preços se mantenham por mais alguns dias e depois subam em função do início da entressafra.
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