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Arroz: controle do falso-carvão exige planejamento

Monitoramento é essencial contra fungo


Foto: Canva

O falso-carvão do arroz, doença causada pelo fungo Ustilaginoidea virens, tem ampliado a preocupação entre produtores de arroz irrigado em regiões com histórico recorrente da doença. O problema afeta diretamente as espiguetas da planta durante as fases de florescimento e enchimento dos grãos, reduzindo a produtividade e comprometendo a qualidade industrial do cereal.

Segundo especialistas, a recorrência do falso-carvão está associada à permanência do fungo em restos culturais e no solo, favorecendo novas infecções entre as safras. Em áreas onde o manejo se repete ano após ano, a pressão de inóculo aumenta e eleva o risco de epidemias, especialmente em ambientes de alta umidade e com uso intenso de adubação nitrogenada.

A doença se caracteriza pela formação de massas esverdeadas, amareladas ou alaranjadas nos grãos, substituindo parcial ou totalmente o desenvolvimento normal da espigueta. Essas estruturas são resultado da colonização do fungo durante o florescimento da cultura.

“O falso-carvão deixou de ser uma curiosidade de lavoura para se tornar um problema real em diversas regiões produtororas de arroz irrigado”, aponta o material técnico. O documento destaca que práticas isoladas, como a aplicação exclusiva de fungicidas, tendem a apresentar eficiência limitada em áreas com histórico elevado da doença.

Entre os fatores que favorecem o avanço do problema estão o excesso de nitrogênio, principalmente em coberturas próximas ao florescimento, o uso contínuo de cultivares suscetíveis, lavouras muito adensadas e o manejo inadequado da irrigação, mantendo elevada umidade no ambiente das panículas.

O monitoramento constante das lavouras também é considerado fundamental. O período entre os estádios reprodutivos R2 e R4, correspondente à emissão das panículas e ao florescimento, é apontado como o mais crítico para observação dos primeiros sintomas e definição das estratégias de controle.

De acordo com o conteúdo técnico, o manejo integrado é a principal ferramenta para reduzir os impactos da doença. “Mudanças planejadas em cultivar, adubação, irrigação e manejo químico são fundamentais para reduzir a pressão da doença ao longo das safras”, ressalta o documento.

As recomendações incluem o uso de cultivares menos suscetíveis, manejo equilibrado da adubação nitrogenada, ajuste da irrigação para reduzir períodos prolongados de umidade nas panículas, manejo adequado da palha e rotação de culturas sempre que possível.

O uso racional de fungicidas também faz parte da estratégia de controle. A orientação é utilizar apenas produtos registrados para a cultura do arroz, respeitando rótulo, bula e receituário agronômico, além de alternar modos de ação para evitar o desenvolvimento de resistência do fungo.

O material alerta ainda para os impactos econômicos da doença. Além da redução no número de grãos cheios por panícula, o falso-carvão pode elevar a quantidade de impurezas nos lotes, causar desvalorização comercial e aumentar os custos de beneficiamento.

Em áreas com histórico, a soma de perdas pequenas, porém recorrentes, ao longo de várias safras, pode representar significativo prejuízo econômico.

A orientação final é que produtores mantenham registros das áreas afetadas e revisem anualmente as estratégias de manejo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.

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