Arroz e feijão fazem bem ao bolso e à saúde, aponta estudo
Pesquisa mostra benefícios do arroz e feijão no Brasil
Foto: Pixabay
A combinação de arroz e feijão, presente diariamente na alimentação dos brasileiros, está associada a uma dieta mais equilibrada, menor custo alimentar e menor impacto ambiental, segundo estudo publicado em abril de 2026 na revista científica Public Health Nutrition. A pesquisa, conduzida por cientistas da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens/USP) e da Universidade de Auckland, analisou dados de 46.164 brasileiros e reforça a importância da dupla para a segurança alimentar e nutricional do país.
O levantamento, divulgado pelo Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (IBRAFE), utilizou informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2017-2018), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), considerada representativa da população brasileira em todas as regiões, estados e áreas urbanas e rurais.
Os dados mostram que, em média, o arroz respondeu por 10,75% das calorias consumidas diariamente pelos brasileiros, enquanto o feijão representou 6,33%. Juntos, os dois alimentos forneceram cerca de um sexto da energia presente na dieta nacional.
O consumo foi registrado em todos os grupos sociais avaliados, embora tenha sido mais elevado entre homens, pessoas negras, moradores da zona rural e habitantes da região Centro-Oeste. Já a menor participação da dupla foi observada na Região Sul.
O estudo aponta que quanto maior a presença de arroz e feijão na alimentação, menor o número de inadequações nutricionais. Entre os participantes com menor consumo da combinação, a média foi de 4,54 inadequações relacionadas à alimentação. Entre aqueles que mais consumiam os dois alimentos, esse índice caiu para 2,52, uma redução de 44,49%.
As dietas com maior participação de arroz e feijão apresentaram menores níveis de açúcar adicionado, gorduras totais, gorduras saturadas e gorduras trans. Em contrapartida, forneceram maiores quantidades de fibras, proteínas, ferro, potássio e carboidratos. Apenas o consumo de sódio não apresentou melhora com o aumento da presença da dupla na alimentação.
Os pesquisadores destacam que o preparo do feijão com alho, cebola, ervas e especiarias, aliado ao uso moderado de sal, permite preservar o sabor sem elevar excessivamente a ingestão de sódio.
Outro destaque do estudo é a complementaridade nutricional entre arroz e feijão. Enquanto o arroz possui maior concentração de determinados aminoácidos, o feijão fornece outros aminoácidos essenciais, além de proteínas vegetais, fibras, ferro, potássio e compostos bioativos.
A pesquisa ressalta, no entanto, que uma alimentação equilibrada não deve se restringir aos dois alimentos. A recomendação é que a refeição inclua também verduras, legumes e uma fonte de proteína, respeitando os hábitos e as necessidades de cada família.
Além dos benefícios nutricionais, os pesquisadores avaliaram o impacto ambiental das dietas. Entre os participantes com menor consumo de arroz e feijão, a pegada de carbono média foi estimada em 4.984 gramas de dióxido de carbono equivalente por dia. Já entre os maiores consumidores da dupla, esse indicador caiu para 4.105 gramas, uma redução de 17,64%.
A pegada hídrica também foi menor. O volume médio associado à produção dos alimentos consumidos passou de aproximadamente 4.522 litros para 3.570 litros por dia, representando redução de 21,05%.
Segundo o estudo, uma das vantagens ambientais das pulses, grupo ao qual o feijão pertence, está na capacidade de realizar a fixação biológica de nitrogênio por meio da associação com bactérias, processo que pode reduzir a necessidade de fertilizantes nitrogenados sintéticos em determinadas condições de manejo.
Outro resultado relevante está relacionado ao custo da alimentação. Considerando os preços praticados durante a POF 2017-2018, a dieta das pessoas com menor participação de arroz e feijão custava, em média, R$ 9,94 por dia. Entre os participantes com maior consumo da combinação, o valor médio foi de R$ 6,16 diários, uma redução de 38,03%.
Os pesquisadores ressaltam que os preços são referentes ao período analisado e não refletem os valores atuais, mas demonstram que padrões alimentares com maior presença de arroz e feijão apresentavam custo significativamente menor.
Embora os resultados sejam consistentes, os autores esclarecem que o trabalho possui caráter transversal. Isso significa que a pesquisa identifica associações, mas não permite afirmar que o maior consumo de arroz e feijão seja, isoladamente, a causa direta dos benefícios observados.
Ainda assim, o tamanho da amostra, sua representatividade nacional e a manutenção dos resultados após ajustes para fatores como idade, renda, escolaridade, sexo e região fortalecem as conclusões do estudo.
O levantamento também reforça as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, que orienta que alimentos in natura ou minimamente processados sejam a base da alimentação e apresenta o arroz com feijão como uma combinação completa, nutritiva e parte da cultura alimentar do país.
Segundo o IBRAFE, preservar o consumo do feijão brasileiro significa fortalecer não apenas um hábito tradicional, mas também um alimento que reúne benefícios para a saúde, a agricultura, a sustentabilidade e a segurança alimentar.