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Artigo: Cuidar bem das pastagens é proteger o solo

Manejo e recuperação de pastagens degradadas protegem solo e clima


Foto: Gisele Rosso

 

O solo é o principal patrimônio do agricultor, um organismo vivo, que além de garantir a produção, é também o maior reservatório de carbono terrestre. Contudo, infelizmente, tem sido tratado como um recurso infinito. No Brasil, o grave problema da degradação das pastagens representa não só um desafio econômico, mas um enorme problema ambiental.
 
O país possui aproximadamente 160 milhões de hectares de pastagens nas diversas regiões. Estimativas apontam que 21% (35,7 milhões de hectares) de pastagens encontram-se em avançado estado de degradação, enquanto outros 41% (69,7 milhões de hectares) apresentam grau moderado de degradação. O manejo adequado das pastagens envolve não apenas a produção de carne ou leite, mas representa um compromisso com a conservação do patrimônio natural do solo. A pastagem degradada é uma ferida aberta que reduz a produção de alimentos, a saúde dos solos e leva a graves problemas ambientais. 
 
Diante desse cenário, investir na recuperação dessas áreas, utilizando técnicas de conservação do solo é essencial para prevenir a degradação, reduzir a erosão e aumentar a matéria orgânica. Para isso é fundamental uma visão sistêmica que promova o manejo correto do pastejo, adoção de medidas para o controle físico como terraceamento, além da correção do solo e o fornecimento de nutrientes.
 
A degradação das pastagens no Brasil é um processo complexo e multifacetado, envolvendo a perda de vigor, da produtividade e da capacidade de recuperação natural da vegetação, comprometendo a sustentabilidade da produção animal. O problema pode começar já na formação da pastagem, com falhas no estabelecimento, semeadura em época inadequada, escolha equivocada de uma espécie forrageira ou uso de sementes de baixa qualidade. Um dos principais fatores é o uso de taxas de lotação acima da capacidade do pasto, deixando o solo exposto, compactado pelo pisoteio dos animais, com menor infiltração de água e erosão. 
 
A ausência de correção da acidez do solo por meio de calagem, assim como a falta de adubação de manutenção, também são fatores determinantes dessa degradação. As deficiências causadas pela não reposição dos nutrientes retirados pelos animais ou perdidos por lixiviação e erosão comprometem a capacidade produtiva da planta forrageira. 
 
A erosão remove a camada superficial do solo, rica em matéria orgânica e nutriente, prejudicando o ecossistema produtivo e os recursos hídricos. O custo para repor esses nutrientes via insumos, como corretivos e fertilizantes, é elevado causando prejuízos econômicos diretos e indiretos para o setor agropecuário brasileiro. O solo erodido é levado para reservatórios e rios, provocando assoreamento e poluição. Além disso, a compactação e o selamento do solo resultantes da erosão dificultam a infiltração das águas pluviais, comprometendo a recarga dos lençóis freáticos e impactando negativamente a disponibilidade hídrica em determinadas bacias.
 
Se por um lado as pastagens degradas causam sérios impactos ambientais, as bem manejadas e adubadas geram alta produção de biomassa e favorecem o acúmulo de matéria orgânica no solo por meio da renovação constante das raízes, transformando o sistema pecuário em um eficiente armazenador de carbono. O solo bem manejado por meio de práticas conservacionistas e de manejo das pastagens regula o ciclo do carbono, preserva as bacias hidrográficas e fortalece a segurança alimentar, sendo essencial para assegurar a produção sustentável de alimentos para as futuras gerações.
 
A recuperação das pastagens, integrada ao manejo conservacionista do solo, transforma desafios em soluções, possibilitando que o Brasil mantenha seu papel como um dos principais fornecedores de alimentos do mundo, com responsabilidade ambiental.
Por isso, o país lançou o Programa Nacional de Recuperação de Pastagens Degradadas (PNCPD) ou programa Caminho Verde Brasil, uma grande iniciativa para transformar a paisagem agrícola. Com aproximadamente 100 milhões de hectares de pastagens apresentando produtividade reduzida ou degradação, o programa estabeleceu a meta de restaurar e converter até 40 milhões de hectares na próxima década. A iniciativa vai além da recuperação de pastagens para o gado, incluindo a conversão agrícola e a intensificação do sistema integrado de Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), bem como linhas de crédito subsidiadas e incentivos financeiros para os produtores.
 
As pesquisas da Embrapa Pecuária Sudeste têm sido direcionadas para transformar pastagens extensivas de baixa produtividade em sistemas sustentáveis, que aumentem o lucro do produtor e reduzam os impactos ambientais. Entre as tecnologias da chamada pecuária de baixo carbono destacam-se a recuperação direta de pastagens, o uso de leguminosas (como o feijão-guandu) e a ILPF, além das boas práticas de manejo do rebanho.
A conservação do solo e a recuperação de pastagens são estratégias eficazes e eficientes para que o Brasil contribua com os desafios ambientais e climáticos globais. A conversão de áreas de pasto degradado em sistemas produtivos e conservacionistas contribui para a remoção de carbono da atmosfera, a proteção dos recursos hídricos, a preservação da biodiversidade e a redução da necessidade de expansão sobre áreas de vegetação nativa.
 
Conservação do Solo para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 
 
O solo é fundamental para que se alcancem os diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, reforçando a importância de práticas responsáveis e conscientes em seu uso e manejo. Entre esses objetivos, destacam-se:
ODS 1, 2 e 3: A gestão eficiente do solo contribui para reduzir a fome, a pobreza extrema, além de promover uma melhor saúde e qualidade de vida.
ODS 6, 11, 12, 14 e 15: A adequada gestão e manejo do solo contribui para a proteção ambiental, abrangendo a preservação dos recursos hídricos, o incentivo a cidades sustentáveis, a promoção da produção e do consumo responsáveis, bem como a conservação da vida aquática e terrestre.
ODS 13: O manejo sustentável do solo contribui para mitigar as mudanças climáticas e fortalecer a resiliência de ecossistemas e comunidades.
 
Dia Nacional da Conservação do Solo
 
No dia 15 de abril comemora-se o Dia Nacional da Conservação do Solo, cujo objetivo principal é conscientizar sobre a importância da preservação desse recurso finito, fundamental para a produção de alimentos, manutenção da qualidade da água e equilíbrio dos ecossistemas. A data também reforça a necessidade de combater a erosão e a degradação dos solos, incentivando a adoção de práticas agrícolas sustentáveis.

 

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