Ataque a navio no Estreito de Ormuz reverte queda do petróleo na semana
Apesar da recuperação diária, o barril do Brent ainda acumula queda de 6,6%
Foto: Agência Petrobras
O mercado de petróleo bruto interrompeu nesta quinta-feira (25) uma sequência de perdas que marcou a semana, após um navio cargueiro ser atingido por um projétil próximo a Omã. Segundo dados divulgados pela DATAGRO, a tela de agosto de 2026 do Brent avançou 2,1% no dia, encerrando negociada a US$ 75,26 por barril.
Apesar da recuperação diária, o barril do Brent ainda acumula queda de 6,6% no consolidado semanal, refletindo o viés baixista que havia predominado nos pregões anteriores. O salto pontual evidencia a sensibilidade do mercado a qualquer evento geopolítico que ameace a segurança das rotas de navegação no Golfo Pérsico.
Após o fechamento do mercado, autoridades dos Estados Unidos afirmaram que o Irã foi responsável pelo disparo contra o navio cargueiro, que reportou ter sido atingido durante a travessia do Estreito de Ormuz. A informação, divulgada pela DATAGRO, escalou a tensão na região e acrescentou um componente adicional de incerteza ao mercado de energia.
O governo iraniano, por sua vez, declarou que embarcações que operem fora dos corredores de navegação estabelecidos no estreito não contarão com garantias de segurança. A declaração aumenta o risco percebido para o tráfego marítimo na região e pode manter o prêmio de risco geopolítico embutido no preço do barril nas próximas sessões.
O Estreito de Ormuz é uma das mais importantes artérias do comércio mundial de energia, por onde passa cerca de 20% do petróleo negociado globalmente. Qualquer instabilidade na área tem potencial imediato de impactar os preços internacionais e a percepção de risco dos mercados financeiros.
Para o agronegócio brasileiro, a volatilidade do petróleo tem reflexo direto nos custos de produção, especialmente sobre os preços dos fertilizantes nitrogenados — cujo processo produtivo consome gás natural — e do diesel, insumo crítico para as operações de plantio, colheita e transporte de grãos. Um barril mais caro também pressiona os custos logísticos em toda a cadeia produtiva, do campo ao porto, elevando o custo de exportação das commodities brasileiras e corroendo parte da competitividade do grão nacional no mercado internacional. O setor acompanha de perto o desdobramento das tensões no Golfo.