Atrativo reduz uso de inseticida na lagarta-do-cartucho em 90%
O controle da praga foi obtido com isca tóxica pela técnica “atrair e matar”
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Um recente estudo científico descobriu que o Noctovi, ‘blend’ de atrativos naturais de mariposas, é eficaz no controle de uma das principais pragas mundiais, a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda). Entomologistas da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), no Mato Grosso do Sul, misturaram o Noctovi com pequenas quantidades de um inseticida convencional e conseguiram controlar as populações da lagarta-do-cartucho, reduzindo os danos às plantações de milho em todos os oito locais de teste na região agrícola do Cerrado.
Intitulado “Isca tóxica como ferramenta alternativa no manejo de Spodoptera frugiperda em segundas safras de milho”, o estudo foi publicado no Journal of Agricultural Science, uma publicação do Centro Canadense de Ciência e Educação.
O controle da lagarta-do-cartucho foi obtido pela técnica “atrair e matar”. Noctovi contém uma mistura de compostos liberados na natureza por plantas que são altamente atraentes para a lagarta-do-cartucho e outras mariposas, tendo como alvo as mariposas intimamente relacionadas da família Noctuid. Ao atrair e induzir as pragas de mariposas adultas a se alimentarem da formulação, a quantidade de inseticida necessária para o controle na área tratada com Noctovi é reduzida em mais de 90%.
“O controle de populações adultas seria mais eficiente se a técnica de atração e extermínio fosse incorporada em programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP)”, concluiu o estudo. O Noctovi é produzido pela “agtech verde” ISCA (Riverside, Califórnia)e distribuído no Brasil pela UPL.
“Esta é mais uma publicação independente importante que confirma o que temos observado na área há anos. Noctovi é uma solução sustentável para o controle de pragas de mariposas, incluindo a devastadora lagarta-do-cartucho, uma espécie que está se espalhando rapidamente pelo mundo, agravando a insegurança alimentar em países pobres e causando bilhões de dólares em perdas de safras para o cultivo comercial”, disse Agenor Mafra-Neto, CEO da ISCA.
A espécie tem sido difícil de controlar porque desenvolveu resistência à maioria dos inseticidas convencionais e às culturas geneticamente modificados (OGM). De acordo com a ISCA, a pesquisa no Brasil constatou que o Noctovi é mais eficaz quando usado em conjunto com o milho transgênico, que expressa as proteínas inseticidas do Bacillus thuringiensis (Bt).
Ao contrário dos inseticidas convencionais, o Noctovi não exige que todo o campo seja pulverizado. Uma vez misturado com um inseticida, uma linha de Noctovi com cerca de 100 metros de comprimento protegerá dez mil metros quadrados de plantações. Isso porque os atrativos trazem as mariposas da lagarta-do-cartucho para se alimentarem da formulação, eliminando a praga.
“A aplicação da isca tóxica [Noctovi] em faixas com espaçamento menor ou igual a 50 metros reduziu significativamente o percentual de danos às plantas”, conclui o estudo de Wagner Justinian, doutorando, e os professores Marcos Gino Fernandes e Josué Raizer da Universidade da Grande Dourados.
Os resultados foram recolhidos durante o ano agrícola de 2018-2019. Os pesquisadores descobriram que plantas de milho não Bt em estágio final de vida tratadas com Noctovi tinham cerca de metade dos danos à alimentação de lagartas em comparação com as plantas em áreas de controle que não receberam tratamento. Estatisticamente, o Noctovi foi misturado ao inseticida metomil aplicado em faixas, bem como em tratamentos em toda a área com o mesmo inseticida. Isso permitiu que a produção de inseticidas fosse reduzida em 90% para atingir o mesmo nível de controle da lagarta-do-cartucho.